quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cruzada em Serra Branca - PB

12 Lição - A INTEGRIDADE DA DOUTRINA CRISTÃ


12 Lição - 11 DE SETEMBRO DE 2011 

A INTEGRIDADE DA DOUTRINA CRISTÃ
Texto Áureo: II Tm. 3.16,17 – Leitura Bíblica: II Tm. 3.14-17;
 Tt. 2.1,7,10

Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


Objetivo: Ressaltar a relevância da integridade da doutrina cristã para
 a maturidade da igreja.

INTRODUÇÃO
Ao longo da sua história, a igreja sofreu ataques de todos os lados,
 tanto de fora quanto de dentro. Em I Tm. 4.1, Paulo admoesta a 
Timóteo em relação às doutrinas que se proliferariam nos últimos 
dias. Em II Tm. 3.1-14, o mesmo apóstolo lista as implicações 
práticas das doutrinas enganadoras, difundidas por aqueles que 
não têm compromisso com as verdades cristãs. O antídoto contra 
as falsas doutrinas é apresentado em II Tm. 3.15-17, o conhecimento 
e a prática da doutrina verdadeira. Ciente dessa realidade 
evidente na atualidade, estudaremos, na lição de hoje, a respeito 
da relevância da doutrina cristã na igreja.

1. DEFININDO DOUTRINA CRISTÃ
O termo doutrina – didachê em grego – significa, basicamente, 
ensino e instrução. Os ensinamentos de Cristo, em Mt. 7.28; 22.23; 
Mc. 1.22,27; 4.2; 12.38; Jo. 7.16; 18.19, podem ser denominados 
de doutrina, mais especificamente doutrina de Cristo, e, por essa 
característica, de doutrina cristã (At. 13.12; II Jo. 9). A 
necessidade de uma sã doutrina, baseada nos ensinamentos dos 
apóstolos, é destacada por Paulo em I Tm. 1.10; 4.6,13; 5.17; 6.1. 
A relevância do ensinamento é apontada ainda em Rm. 6.17; 16.17; 
Tt. 1.9; II Tm. 4.2; II Jo. 10. O autor da Epístola aos hebreus 
utiliza a palavra grega logos – palavra – em Hb. 6.1 – para se 
referir à doutrina em relação ao ensinamento fundamental 
de Cristo. A palavra portuguesa – doutrina – vem do verbo 
latino docere, que significa “ensinar”. Há igreja, por natureza, 
tem uma função educativa, o próprio Jesus nos instrui para 
que aprendamos dEle (Mt. 11.29). Jesus destacou a relevância 
do ensino na Grande Comissão, na tarefa de fazer discípulos 
(Mt. 28.20). Dentre os dons ministeriais, Paulo elenca o do ensino, 
reconhecendo que os mestres são dádivas divinas (Ef. 4.11), e a
 necessidade de que haja na igreja pessoas idôneas na Palavra,
 a fim de passar os ensinamentos de Cristo às gerações seguintes 
(II Tm. 2.2). O ensinamento na igreja é um dom espiritual, mas
 carece de esmero, ou seja, dedicação (Rm. 12.7), portanto, aqueles
 que atuam nessa área devam investir no conhecimento das 
Escrituras. Paulo é um exemplo de mestre na doutrina cristã. 
Ele diz não ter se negado a ensinar aos crentes da igreja (At. 20.20). 
Jesus foi um Mestre por excelência, pois Ele ensinava com 
autoridade (Mt. 7.28,29), por isso seus discípulos O chamavam de
 Rabi (Mt. 26.25,49; Mc. 9.5; 11.21; Jo. 1.38,49; 4.31), bem como 
outras pessoas (Jo. 3.2; 6.25). O próprio Jesus referiu a si mesmo
 como Mestre em Mt. 23.8 e Jo. 13.13. Por isso, uma igreja que é 
cristã, precisa estar disposta a ouvir os ensinamentos de Jesus, 
conforme expostos no Evangelho.

2. O PERIGO DAS FALSAS DOUTRINAS
A importância do ensinamento cristão se dá, entre outros motivos, 
em resposta aos falsos ensinamentos que se propagam no seio da
 igreja, os evangelhos diferentes (II Co. 11.4). O Senhor Jesus 
destacou os perigos dos falsos ensinamentos, que resultaria no 
engano de muitos, até mesmo dos eleitos (Mt. 7.15-20). 
Seguindo as instruções bíblicas, devemos ter cuidado para não 
nos tornarmos presa fácil das falsas doutrinas. Para tanto, 
precisamos julgar os espíritos, pois existem muitos que não
 provêem de Deus (I Jo. 4.1). Em sua Epístola aos Gálatas, Paulo 
repreende os crentes por terem deixado a sã doutrina e seguirem
 um outro evangelho (Fl. 1.7-9), e destaca o fruto do Espírito, 
como a característica central para identificar se alguém, de fato, 
professava a genuína fé (Gl. 5.22,23). Além desses critérios, 
existem outros fundamentados na Bíblia: 1) reverência e humildade, 
em oposição à arrogância e grosseria (II Co. 10.18); 2) amabilidade 
ou imposições (II Tm. 2.24-26); 3) desrespeito às autoridades, 
inclusive o Senhor, governo e pais (II Pe. 2.10-12; Jd. 8-10); 4) 
falta de respeito e amor em relação à liderança cristã (I Co. 3.1-9); 
5) ao invés de fomentarem o amadurecimento espiritual criam
 dependência (At. 17.11; Ef. 4.11-16); 6) exploração financeira 
dos fiéis (I Pe. 5.2; II Pe. 2.3); 7) falta de observância 
aos padrões divinos de sexualidade (II Pe. 2.14); 8) falta 
de compromisso com a Palavra de Deus, querem agradar aos 
ouvintes, por isso falam o essas querem, não o que está escrito 
(II Tm. 4.3,4); 9) sobrecarregam os fiéis a fim de satisfazerem
 interesses próprios (Fp. 2.3,4); 10) centralizam a atenção em
 si mesmos, ao invés de focarem Jesus Cristo (At. 20.28-31; 
III Jo. 9,10); 11) colocam-se sempre acima das pessoas, 
como celebridades, não se consideram irmãos (Mt. 23.8-12); 
e 12) incitam o culto à personalidade, pessoas são supervalorizadas 
(Gl. 2.11-21). Esses critérios bíblicos são fundamentais para a 
identificação de grupos doutrinários e doutrinas que não correspondem 
à Palavra de Deus.

3. A DOUTRINA CRISTÃ NA IGREJA
O antídoto contra os falsos ensinamentos na igreja é o investimento
 no doutrina, no ensinamento bíblico, como orientou Paulo a Timóteo 
(II Tm. 3.15-17). A igreja cristã deve priorizar o ensinamento bíblico.
 Infelizmente, ao invés de incentivarem os crentes a participar da 
Escola Dominical, muitos líderes promovem movimentos sensacionalistas. 
As escolas bíblicas, outrora uma realidade nas igrejas, devem ser 
resgatadas, com duração suficiente para que ocorra aprendizado 
efetivo. Os institutos bíblicos não devem ser censurados, principalmente 
quando esses servirem de aliados para a formação doutrinária da
 igreja, e cujo fim seja a aplicação dos conhecimentos ali adquiridos 
para a edificação do Corpo de Cristo. Os cultos de instrução e 
ensino devam ter primazia, considerando que é nesse serviço que
 o pastor tem a oportunidade de expor doutrinas e o texto bíblico. 
Os líderes da igreja também precisam desenvolver um ensino 
sistemático, destacando as doutrinas basilares da fé cristã, 
e também expondo inteiramente livros da Bíblia. Enquanto agência 
de ensinamento cristão, a Escola Bíblica Dominical tem 
contribuído ao longo da história da igreja, na verdade, muitos 
obreiros foram formados nas aulas da EBD. A arquitetura eclesiástica
 deve, inclusive, investir na expansão da EBD. Um líder que se
 preocupa com o ensinamento da Palavra na igreja, busca identificar 
e separar para o ministério do ensino pessoas comprometidas com e 
dedicadas a esse ministério. Se possível, constroem salas de aulas 
na igreja e as aparelham com recursos multimídia a fim de que 
alunos e professores possam tirar maior proveito do ensino-aprendizagem
 durante as aulas. Os crentes que frequentam a EBD, escolas 
bíblicas, institutos bíblicos e cultos de instrução não se deixam 
levar por qualquer vento de doutrina, pois estão alicerçados Rocha, 
a Palavra de Deus (Mt. 7.24,25).

CONCLUSÃO
Integridade, de acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 
tem a ver com inteireza e pureza. Uma igreja que se pauta pela
 doutrina cristã está alicerçada no próprio Cristo. Desde o 
princípio, Satanás quis subverter a Palavra de Deus (Gn. 3.1-5). 
Para que a igreja tenha saúde espiritual, essa, como Jesus, ao ser 
tentado (Mt. 4) deva se pautar pela Palavra de Deus. Para 
que a igreja seja contracultura na sociedade essa deva expor e viver 
em conformidade com as palavras de Cristo em piedade (I Tm. 6.1-3), 
conhecendo não apenas os princípios doutrinários, mas também dando
 o exemplo (II Tm. 3.10). Essa é uma necessidade urgente, considerando 
que já testemunhamos os tempos a respeito dos quais Paulo advertiu a
 Timóteo, em que muitos não querem mais dar ouvidos à sã doutrina, 
preferem amontoarem para eles mestres conforme seus desejos desenfreados
 (II Tm. 4.2,3).

BIBLIOGRAFIA
GANGEL, K. O., HENDRICKS, H. G. Manual de ensino para o educador 
cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
LEBAR, L. E. Educação que é cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

Biografia de Agostinho de Hipona


Introdução 
Aurélio Agostinho, o Santo Agostinho de Hipona foi um importante bispo cristão e teólogo. Nasceu na região norte da África em 354 e morreu em 430. Era filho de mãe que seguia o cristianismo, porém seu pai era pagão. Logo, em sua formação, teve importante influência do maniqueísmo (sistema religioso que une elementos cristãos e pagãos).
Biografia 
Santo Agostinho ensinou retórica nas cidades italianas de Roma e Milão. Nesta última cidade teve contato com o neoplatonismo cristão.

Viveu num monastério por um tempo. Em 395, passou a ser bispo, atuando em Hipona (cidade do norte do continente africano). Escreveu diversos sermões importantes. Em “A Cidade de Deus”, Santo Agostinho combate às heresias e a paganismo. Na obra “Confissões” fez uma descrição de sua vida antes da conversão ao cristianismo.

Santo Agostinho analisava a vida levando em consideração a psicologia e o conhecimento da natureza. Porém, o conhecimento e as idéias eram de origem divina. 
Para o bispo, nada era mais importante do que a fé em Jesus e em Deus. A Bíblia, por exemplo, deveria ser analisada, levando-se em conta os conhecimentos naturais de cada época. Defendia também a predestinação, conceito teológico que afirma que a vida de todas as pessoas é traçada anteriormente por Deus.

As obras de Santo Agostinho influenciaram muito o pensamento teológico da Igreja Católica na Idade Média.

Morreu em 28 de agosto (dia suposto) de 420, durante um ataque dos vândalos (povo bárbaro germânico) ao norte da África.

Santo Agostinho é considerado o santo protetor dos teólogos, impressores e cervejeiros. Seu dia é 28 de agosto, dia de sua suposta morte.
Algumas obras de Santo Agostinho:

- Da Doutrina Cristã (397-426)
- Confissões (397-398)
- A Cidade de Deus (413-426)
- Da Trindade (400-416)
- Retratações
- De Magistro
- Conhecendo a si mesmo
Frases e Pensamentos de Santo Agostinho:
- "Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, pois você irá perder um amigo. Porém, se dois estranhos pedirem a mesma coisa, aceite, pois você irá ganhar um amigo."
- "Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que entendemos sobre a natureza."
- "Certamente estamos na mesma categoria das bestas; toda ação da vida animal diz respeito a buscar o prazer e evitar a dor."
- "Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você."
- "Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita."
- "A pessoa que tem caridade no coração tem sempre qualquer coisa para dar."
- "A confissão das más ações é o passo inicial para a prática de boas ações."
- "A verdadeira medida do amor é não ter medida."
- "Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio." 

Biografia de Savonarola


Viveu na Itália de 1452 a 1498 e foi reconhecido mais tarde como o precursor da Grande Reforma protestante.
Na escola, quando se preparava para se tornar um médico seguindo os passos de seu avô, deparou-se com os estudos de Platão e Aristóteles, que geraram nele uma alma sedenta pela espiritualidade.
Quando ainda menino, tinha o costume de orar e, ao crescer, seu ardor em orar e jejuar foi aumentando significativamente. A decadência da igreja, o luxo e a ostentação dos ricos em contraste com a miséria vivida pelos pobres, magoavam-lhe profundamente o coração.
Ainda jovem Deus começou a falar-lhe através de visões e, após uma desilusão amorosa, abandonou para sempre a idéia de se casar optando por abraçar a vida monástica em Bolonha.
No convento, destacava-se por sua postura humilde, dispondo-se a serviços de cozinha e horta, sendo também reconhecido por todos naquele lugar pela sinceridade e obediência, quando foi apontado para lecionar filosofia, atividade que exerceu até sua saída daquele mosteiro após sete anos de serviço ali.
Depois disso, foi transferido para Florença, no convento de São Marcos, lugar onde sofreu grande decepção ao ver que o povo florentino era tão depravado como o dos demais lugares que conheceu.
Certo dia, ao dirigir-se a uma feira, teve, repentinamente, uma visão dos céus abertos por onde passavam perante seus olhos todas as calamidades que sobrevirão à Igreja. Então, ouviu uma voz do céu lhe ordenando anunciar aquelas coisas ao povo. Sob uma nova unção do Espírito, sua mensagem de condenação ao pecado era tão impetuosa que muitos dos ouvintes saíam atordoados, mudos pelas ruas. Durante seus sermões homens e mulheres de todas as idades e classes rompiam em choro arrependido. Freqüentemente ao orar, caía em êxtase e chegava a ficar cindo horas imóvel sobre o púlpito em visões de Deus.
Savonarola profetizou que o corrupto regente de Florença, chamado Lorenzo, o papa e o rei de Nápoles morreriam dentro do período de um ano e assim sucedeu.
Pela franqueza em sua luta contra as injustiças praticadas por muitos dentro do âmbito da própria igreja, Savonarola acabou sendo excomungado pelo papa e queimado em praça pública.
Por sua entrega aos sonhos de Deus, deixando-se levar totalmente pela direção do Espírito em sua obra como agente precursor da Grande Reforma, transformando assim a história da Igreja de Jesus, devolvendo-a aos eixos da vontade do Espírito Santo, temos a emoção de registrar a vida de Jerônimo Savonarola no Wall os Fame dos reparadores de brechas da história da Igreja.
(P.s.: Extraído do livro Heróis da Fé, de Orlando Boyer – Editora CPAD).

Biografia de John Huss



JOHN HUS
John Hus nasceu por volta do ano 1370, na Boêmia - região que, no mapa geopolítico mundial, é ocupada, hoje, pela República Tcheca, país do Leste Europeu. Em 1400, foi ordenado sacerdote e, desde o início de seu ministério, quando assumiu o púlpito da Capela de Belém, em Praga, tomou-se um estorvo, um incômodo para alguns de seus colegas. Pregava insistentemente contra os privilégios do clero, e defendia a necessidade urgente de uma reforma religiosa. A eloqüência de suas pregações fez com que, rapidamente, boa parte da população o seguisse.
A nobreza também se rendeu ao seu discurso reformista e, há muito tempo, tentava encontrar uma forma de limitar o poder eclesiástico. Calcula-se que, na época, metade do território nacional boêmio pertencia à Igreja Católica, enquanto à Coroa cabia apenas a sexta parte. No mesmo período, com o apoio das autoridades, Hus traduziu o Novo Testamento para a língua boêmia e tornou-se um simpatizante das obras de John Wycliff (1329-1384), um reformador inglês.
Impedido de pregar - Influenciado por algumas das doutrinas wiclifistas, Hus pregava, dentre outros pontos, a autoridade suprema da Bíblia e a predestinação - doutrinas negadas, até hoje, pela Igreja Católica. Era a época em que existiam três papas comandando a Igreja, e ninguém sabia ao certo quem era o legítimo. Feito reitor da Universidade de Praga, Hus apoiava Alexandre V, eleito no Concílio de Pisa. No entanto, o arcebispo local era fiel a um outro papa - Gregório XII - e, por causa da disputa política, o arcebispo fez com que Hus fosse impedido de pregar.
Hus - que significa ganso na língua boêmia - não obedeceu à proibição e, por isso, foi excomungado em 1411. Entretanto, seu pior ato de insubordinação, e o que gerou sua condenação à morte, foi a crítica feroz a uma atitude do terceiro papa, João XXIII. Em guerra contra o rei de Nápoles, aquele papa decidiu financiar o conflito com a venda de indulgências (remissão de pecados mediante pagamento à Igreja com determinada quantia em dinheiro). Os vendedores chegaram à Boêmia, tentando usar todo tipo de método para persuadir seus "fregueses". Hus, imediatamente, protestou e afirmou que só Deus poderia conceder indulgências e ninguém jamais poderia vender algo que procede somente de Deus.
Seu discurso movimentou o país e até passeatas de protesto foram organizadas. Hus foi excomungado pela segunda vez, e mudou-se de Praga para o Sul da Boêmia, a pedido do imperador. Ele permaneceu lá, até que, em 1414, ficou sabendo da realização do concílio da igreja católico-romana de Constança, na Alemanha. O evento, que contaria com a presença de vários reformadores de renome, prometia inaugurar uma nova era na vida da Igreja, pois seria decidido quem era o papa legítimo. Hus foi convidado a expor seu caso e aceitou comparecer. Poucos dias após sua chegada a Constança, foi convidado pelo Papa João XXIII para uma assembléia composta apenas de cardeais. Hus insistiu que estava ali para defender suas idéias diante do concílio e não em uma reunião tão restrita. Antes não tivesse ido.
O boêmio saiu daquela assembléia acusado de heresia e, a partir de então, passou a ser tratado como prisioneiro. Em junho de 1415, finalmente foi julgado pelo concilio. Por aquela época, João XXIII já fora deposto, mas isso não melhorou a situação de Hus. O concilio lhe atribuía uma série de heresias, as quais ele teria de admitir ser o autor. No entanto, em momento algum, a direção do concilio se dispôs a ouvi-lo sobre quais seriam, de fato, suas doutrinas. Hus, obviamente, recusou-se a retratar-se de doutrinas que não havia propagado e, assim, foi condenado à fogueira.
No dia 6 de julho, ele foi levado até a Catedral de Constança para ouvir um sermão sobre a teimosia dos hereges. Em seguida, teve seus cabelos cortados, uma cruz foi desenhada em sua cabeça, e recebeu uma coroa de papel decorada com desenhos de diabinhos. Mais uma vez, exigiram que Hus se retratasse, mas ele não voltou atrás. Atribui-se a Hus as seguintes palavras:
"Estou preparado para morrer na Verdade do Evangelho que ensinei e escrevi". Hus morreu cantando os Salmos, e sua morte deflagrou uma verdadeira revolução contra a Igreja na Boêmia.
Recentemente, o Papa João Paulo II reconheceu o erro de seus "infalíveis" antecessores. Em dezembro de 1999, o líder católico pediu desculpas - embora demasiadamente tardias - pela morte de Hus. Na ocasião, falando sobre o reformador tcheco em um simpósio internacional promovido pelo Vaticano, João Paulo II afirmou: "Hoje, às vésperas do Grande Jubileu, sinto a necessidade de expressar profundo arrependimento pela morte cruel infligida a John Hus e pelas conseqüentes marcas de conflito e divisão deixadas nas mentes e nos corações do povo boêmio".
Fonte: Revista Graça – Julho / 2000 (Élidi Miranda)

Biografia de John Wycliff


John Wycliff

A luz começa a brilhar

                                   

 Introdução

Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Depois das trevas, do medo e da perseguição, chega o alívio com os primeiros raios de luz. A Bíblia, escondida na era das trevas, começar agora a aparecer. A bem sucedida participação na história da reforma de homens como Martinho Lutero e João Calvino, parece apagar um pouco da importante contribuição de John Wycliff e John Huss. Mas estes foram os precursores do movimento reformado. São chamados de pré-reformadores. Depois de uma época de descontentamento contra os abusos da Igreja Romana por toda a Europa, Deus, pela sua misericórdia, começa a levantar homens para fazer a Igreja de Cristo, a noiva, voltar a ser pura, santa e sem mancha. John Wycliff é chamado de a “Estrela d’alva da Reforma” por ser o primeiro instrumento usado por Deus a enfrentar o sistema papal antibíblica e as injustiças da Igreja Católica. Foi ele quem deu o “ponta-pé inicial” na emocionante história da volta da Igreja às Escrituras Sagradas. A presente lição pretende mostrar o valor do ensino Bíblico para a Igreja de Cristo e a importância de servos que se colocam como verdadeiras ferramentas na mãos do Senhor.

1. John Wycliff

A. Um grande erudito

O que marcou a vida deste homem foi sua erudição e dedicação ao estudo da teologia. Nasceu em Hipswell, Yorkshire na Inglaterra, em 1329. Foi estudar em Oxford e logo se notabilizou por sua inteligência e erudição. Dominou a filosofia e os ensinos de Agostinho (ensinos que mais tarde influenciariam homens com Lutero e Calvino). Por ser um grande teólogo, tornou-se capelão do Rei da Inglaterra, Ricardo II. Nesta posição pôde fazer muito pela reforma de sua Igreja.

B. A presença de Deus na História

Deus é o Senhor da História. Nela ele mostra o seu amor e cuidado pela Igreja. Estando numa posição de grande destaque, Wycliff pôde ter acesso ao Parlamento e traduzir a Vulgata (Bíblia em Latim) para o Inglês. Essa tradução foi de fundamental importância, tanto para a vida espiritual do povo, como também para o próprio inglês.

Como fez com a rainha Ester, Deus ainda hoje eleva homens e mulheres para posições de grande destaque, conforme seus soberanos propósitos, para o engrandecimento do seu nome e crescimento de sua Igreja. Vemos aqui a distinção entre o homem de Deus e o homem sem Deus – Wycliff usou sua autoridade para a glória de Deus, enquanto que o papa perdeu sua autoridade diante de Deus pois a usava para si próprio.

2.Ensinos Voltados para a Bíblia

Wycliff defendeu as seguintes idéias para obter a reforma da sua igreja:

A.Sobre a Bíblia

Wycliff ensinava que os concílios e a liderança da Igreja deveriam ser provados pelas Escrituras Sagradas. A palavra do papa e a tradição da igreja não poderiam ter uma autoridade de maior do que a da Bíblia. Para o reformador Inglês, a Bíblia é a única regra de fé e prática. Ela é suficiente pra suprir as necessidades da alma humana, sem que sejam necessárias as intervenções da Igreja e as mágicas de seus sacerdotes. Wycliff entendia também que as Sagradas Escrituras deveriam ser colocadas na mão do povo e não ficarem limitadas ao clero (liderança da Igreja).

B.Sobre o Papa e seus sacerdotes

Wycliff ensinava que os papas eram homens sujeitos ao erro e ao engano. Assim como dentro da Igreja de Cristo havia joio e o trigo, ser líder da igreja não era garantia de salvação, muito menos de perfeição. Ensinava que o ofício do papado era invenção do homem e não de Deus e que o papa seria o anticristo se não seguisse fielmente os ensinamentos de Cristo. Censurou monges quanto à preguiça e ignorância deles no que dizia respeito ao estudo das Escrituras.

C. Sobre a Ceia

Segundo a Igreja Católica Romana, no momento da ceia o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo.  Este dogma é chamado de transubstanciação. Wycliff declarou que esta doutrina era antibíblica, pois Cristo está presente nos elementos de forma espiritual e não física.

O historiador E.E.Cairns diz que “se a idéia de Wycliff fosse adotada, significaria que o sacerdote não mais reteria a salvação de alguém por ter em suas mãos o corpo e o sangue de Cristo na comunhão”¹

Com sua inteligência e posição dadas por Deus, a pregação de Wycliff começava a ser ouvida nos mais distantes cantões da Inglaterra, chegando a atravessar o mar em direção ao continente. Muitas pessoas devem ter recebido seus ensinos ou ganhado uma Bíblia na sua própria língua conhecendo assim a vontade de Deus para suas vidas.

3.Influência que Atravessou Fronteiras

A. Os lolardos

Para que o ensino bíblico fosse transmitido por toda Inglaterra, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos, os quais receberam o nome de Lolardos. O trabalho de expansão  deu certo, mas o papa não gostou. Em um decreto², a Igreja condenou os Lobardos à pena de morte. Apesar disto, Deus não permitiu que nenhum desses pregadores fossem mortos.

B.Os boêmios

Estudantes da região da Boêmia, no centro da Europa, foram para Oxford e lá tiveram contato com os escritos de Wycliff e com alguns dos Lolardos. Ao regressarem para a sua terra, os boêmios levaram as novas informações e ensinos que acabaram influenciando aquele que seria um outro grande reformador, John Huss.

Ao tomar os primeiros contatos com os escritos de Wycliff, Huss escreve na margem de seus papéis: “Wycliff, Wycliff, você vai virar muitas cabeças”. Anos mais tarde, Huss teria sido acusado pela Igreja de Wicliffismo.

A história nos mostra que Deus vai espalhando sua semente. Assim como na Igreja Primitiva, crentes foram influenciando pessoas, autoridades e até reis, a ponto de ocupar todo o mundo. Temos a Bíblia em nossas mãos hoje porque servos e servas de Deus se dedicaram para isto. A mensagem continua viva. Será que a Igreja tem influenciado? O Evangelho de Cristo tem de fato sido pregado?

4.Condenado Depois de Morto

Próximo aos 55 anos de idade, Wycliff sofreu um derrame e morreu. Passados 30 anos, o Concílio de Constança, convocado pelo papa João XXIII, reuniu-se em 1415 e, sob a condenação de heresia, decidiu exumar o corpo de Wycliff e queimá-lo em praça pública.

Como pode-se observar, o poder arbitrário tomou conta da Igreja. Absurdos como a punição de um homem depois de morto e outros mais preencheram a sua história.

Mas tudo isso não foi suficiente para calar a voz do Evangelho. O clero não percebeu que estava lutando contra o próprio Deus.

Conclusão

Vimos que a escuridão da Idade Média começa a ser vencida pelos primeiros raios de luz de manhã. Deus prepara um homem, coloca-o numa posição de influência e autoridade e começa a trazer a Igreja de volta para o seu noivo.

John Wycliff envolve-se numa batalha de fé pela Verdade das Escrituras, coloca a Bíblia na mão do povo, ensina-a e tenta tirar este povo das mãos daqueles que exploravam suas vidas. Morre, mas deixa uma mensagem viva, um exemplo de luta pelo Evangelho.

Certo autor escreveu que a luta dos pré-reformadores terminou com insucesso. Entretanto, devemos crer que a perseguição e morte de homens com Wycliff e Huss não foram empreendimentos frustrados, e sim o plano soberano de Deus abrindo caminho para acontecimentos maiores. Anos mais tarde os reformadores levantaram a bandeira da “Sola Scriptura”, em favor da suficiência e autoridade exclusiva da Palavra  de Deus sobre qualquer dogma ou direção humana. A semente do ensino de Wycliff e Huss estava lá e, até hoje, dá os seus frutos.

A presente lição serve como um alerta para  a Igreja de hoje. Os crentes devem viver uma vida santa e, ao mesmo tempo, devem estar prontos para reformar a igreja sempre que ela se afastar do ensino bíblico. Agindo assim seremos encontrados por Deus fiéis.

Quão disposto você está a sacrificar sua vida por amor ao Evangelho?

Nota

¹ CAIRNS O Cristianismo Através dos Séculos, p. 206.

² Conhecimento como “De Haeretico Comburendo”.

Autor: Dráusio Piratininga Gonçalves

Fonte: revista Palavra Viva – Graça e Fé, pg 5-8, Editora Cultura Cristã. Compre esta trimestral e excelente revista dominical em www.cep.org.br .

Biografia de John Wesley

John Wesley (1703-1791) 

Em 28 de junho de 1703 nascia em Lincolnshire, na Inglaterra, o fundador da Igreja Metodista Wesleyana: John Wesley, cuja esposa chamava-se Susanna, era o 12º dos dezenove filhos do reverendo Samuel Wesley, um pároco de Epworth.

Quando completava seis anos, quase perdeu a vida num incêndio à noite, provocado por um grupo de malfeitores. O fogo se alastrava no teto de palha da paróquia onde eles moravam, começando a estilhaçar brasas sobre as camas. Subitamente, Hetty Wesley, um dos irmãos menores, acordou assustado e correu até o quarto de sua mãe. E logo todo mundo estava em pé, tentando conter o domínio das chamas, enquanto a pequena criada, agarrando o bebê Charles nos braços, chamava as crianças para um lugar mais seguro. A essa altura, Twice Susanna Wesley forçava a porta contra as costas, numa tentativa desenfreada de proteger-se.

A família finalmente conseguiu sair de casa e, apavorada, reuniu-se no jardim, pois descobrira que o pequeno Jeckie havia ficado lá dentro dormindo. Voltaram correndo, mas era tarde: a escada estava em cinzas e tornava impossível resgatá-lo. O rapaz chegou até aparecer na janela, porém não podiam segurá-lo, visto que a casa ficava no segundo piso. Todavia, um pequeno homem pulou sobre o largos ombros do pai de Wesley e, num esforço desmedido, conseguiu salvar a criança.


Um Estudante de Cristo

Conseqüentemente, uma profunda ternura passou a residir no coração de Jackie que, mesmo depois de homem, considerava que havia escapado aquela noite porque Deus tinha um propósito muito especial em sua vida. Várias vezes ele chegou a comemorar este dia em seu diário secreto que escreveu: "Arrancado das Chamas".

Seis anos depois, em Charter House School, Jeckie matriculou-se na Universidade em Oxford, tornando-se um estudante da igreja de Cristo. Quatro anos mais tarde graduou-se em bacharel de artes e em 1726 foi eleito acadêmico do Colégio Lincoln.

Enquanto John Wesley era ordenado ao ministério e ajudava o pai em casa, Charles, o irmão mais novo, organizava em Oxford um pequeno grupo de estudantes para orações regulares, estudos bíblicos e outros serviços cristãos. O Clube Santo, como era chamado, incluía vários integrantes, que, mais tarde, tornaram-se pioneiros de um avivamento, ocorrido no século XVIII, destacando-se, entre outros, George Whitfield.

Obedecendo ao Senhor, John Wesley viajou para colônia em Georgia, como capelão, em 1736. Charles nesta época era secretário do governador e o piedoso trabalho em Georgia, embora com muitas lutas, teve sucesso mais tarde. O reverendo George Whitfield, depois de visitar a sede do movimento, escreveu: "O eficiente trabalho de John Wesley na América é impressionante. Seu nome é muito precioso entre o povo, pois tem edificado as fundações que, espero, nem homens nem demônios a abalem".


Aprendendo a Confiar

Em contato com German Moravian Christians na América, Wesley questionava sobre as verdades cristãs. Sabia muito bem que o êxito de seus trabalhos estava nas mãos de Deus e, por isso, começou a buscá-lo em oração. Não demorou muito tempo e, em 24 de maio de 1738, acabou encontrando a resposta quando, de volta para a Inglaterra, resolveu registrar tudo quanto acontecera naquele dia: "A tarde, visitando a sociedade em Aldersgate Street, li o ‘Prefácio da epístola aos Romanos’ na versão de Lutero, cujas palavras tocaram-me profundamente. Senti meu coração bater fortemente. E, desde aquele momento, aprendi a confiar em Cristo como meu Salvador. Estou seguro de que os meus pecados estão perdoados. Me salvei da lei do pecado e da morte". Esta experiência mudou o rumo da vida de Wesley que, a partir daquele momento, passou a ser uma nova criatura, sendo consagrado o maior apóstolo da Inglaterra.

John Wesley começou o trabalho de pregação ao ar livre quando viajava para Bristol a fim de ajudar George Whitfield, que na época era conhecido como o mais eloquente pregador da Inglaterra. Wesley, a princípio, rejeitou a idéia, mas uma vez convencido da vontade de Deus, acabou se tornando mais famoso que Whitfield. Viajava 11 quilômetros por ano. Experimentou os mais cruéis sofrimentos e oposições em toda sua vida. Estava frequentemente em perigo.

Embora fosse sábio e proeminente, o itinerante evangelista era um homem simples e executou muitas obras sociais. As suas poderosas mensagens muito influenciaram a igreja que, no ano de 1739, adquiriu uma sede para o movimento protestante, que crescia vertigiosamente. Comprou uma casa de fundição em ruínas, na cidade de Moofield, e transformou-a num templo. O prédio passou por uma rigorosa reforma que custou, na época, 800 libras (quantia superior ao da compra que foi de 115 libras), mas valeu a pena. Depois de pronta, a capela passou a comportar cerca de mil e quinhentas pessoas.

Era o primeiro edifício metodista em Londres, onde a verdadeira doutrina de Cristo era proclamada. Pessoas sedentas por ouvir a gloriosa mensagem do evangelho cruzavam todos os domingos a escuridão das estradas de Moorfield com lanternas, para ouvir os ensinamentos de Wesley. O prédio dispunha de sala de reuniões, com capacidade para 300 pessoas, sala de aula e biblioteca.

Mais tarde, John Wesley instalou a sua própria casa na parte superior da capela, onde passou a morar com a sua família. Em 1746, abriu um centro de atendimento médico e escola gratuitos, com capacidade para 60 estudantes, contratou farmacêutico, cirurgião e dois professores e, em 1748, alugou uma casa conjugada para refugiar viúvas e crianças.

Muitos foram os patrimônios conseguidos pela igreja durante os 40 anos do movimento metodista em Moorfield, organizada por John Wesley. Entretanto, devido a expiração do contrato imobiliário, a sede teve de mudar-se para um outro lugar.

Próximo dali, em City House, encontrava-se um vasto campo onde jaziam os túmulos de Bunhill Field e o de sua esposa Sussana Wesley. Um lugar de pântanos, recentemente aterrado, onde foi construída a catedral de Saint Paul. Havia também no local algumas pedras de moinho, utilizadas para moer milho trazido do Thames, que era transformado em trigo.

John Wesley alugou quatro mil metros quadrados destas terras em 1777 para construir a nova capela. E, finalmente, em 21 de abril do mesmo ano, sob forte chuva, lançou a pedra fundamental, com a seguinte gravação: "Provavelmente, esta pedra não será vista por algum olho humano, mas permanecerá até que a terra e o trabalho sejam consumados". Naquele dia, Wesley improvisou um púlpito sobre a pedra e pregou em Nm 23.23.


A Recompensa

Em 1 de novembro de 1778, dezoito meses depois, no Dia de Todos os Santos, a capela estava próxima de ser aberta para a adoração pública. Apesar dos ventos das dificuldades (além de ter contraído muitas dívidas, os trabalhadores tiveram as ferramentas roubadas), Deus recompensou grandemente o esforço de Wesley, levantando voluntários dentre os membros. O rei George III, por exemplo, doou mastros de navios de guerra para o suporte das galerias.

Conta a história que um certo dia Wesley ficou de um lado do templo e Taylor, um dos cooperadores do outro, com os chapéus nas mãos, e conseguiram arrecadar 7 libras; o suficiente para a conclusão das obras. Toda a galeria foi coberta com gesso e os bancos de madeira de carvalho, doadas pelas igrejas da América, Canadá, Sul da África, Austrália, Oeste da Índia e Irlanda. As janelas vitrificadas, as impressões no teto foram trabalhados no estilo Adams (réplica antiga), e a casa de Wesley construída num pátio em frente à capela. Estas raridades, depois de reformadas em 1880, no centenário da morte de Wesley, memorizam as epopéias deste bravo soldado de Cristo.


Sua Morte

Mesmo depois de velho quase cego e paralítico, John Wesley continuava pregando em City Road e Latherhead. E, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim sentou-se numa cama, bebeu um chá e cantou:

"Quando alegre eu deitar este corpo e minha vida for coroada de bênção, quão triunfante será o meu fim! Eu glorificarei a meu Criador enquanto tenho fôlego; E, quando a minha voz se perder na morte, empregarei minhas forças; em meus dias o glorificarei enquanto tiver fôlego até o fim de minha existência".

Wesley foi enterrado no Jardim-túmulo, em frente à capela em City Road, sob as luzes das lanternas, na manhã de 2 de março de 1791. Morreu com os olhos abertos e balbuciando a seguinte palavra: "Farwell" (adeus). Cerca de 10 mil pessoas acompanharam o funeral. E a lápide até hoje indica o significado histórico: "À memória do venerável John Wesley: o último companheiro do Lincoln College, Oxford..." 

Fonte: Revista Obreiro Aprovado (Fev/Mar 1996) 


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Vozes Proféticas do Passado
John Wesley
Por: Christopher Walker 

A importância da vida e mensagem de John Wesley é bem conhecida. Não é exagero dizer que impactou profundamente a história da Inglaterra e da América, com efeitos diversos em toda a sociedade, sem falar da revolução no cristianismo frio e formal da Igreja Anglicana. 

Porém, no final do seu ministério, Wesley não estava muito satisfeito com os próprios seguidores metodistas. Seu coração ardente e radical já percebia os sinais de acomodação e adaptação do novo movimento. 

A seguir, um trecho de um dos seus sermões, onde exerce sua função de despertar e alertar aqueles que deveriam estar na vanguarda do mover de Deus: 

"Acaso não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?" (Jr 8.22).

Por que o cristianismo tem feito tão pouco bem no mundo? ... Não foi designado, por nosso todo sábio e todo-poderoso Criador, para ser o remédio para o mal da corrupção universal da natureza humana? ... Entretanto, a doença ainda permanece com pleno vigor: maldade de toda espécie, vícios e hábitos impuros, interiores e exteriores, em todas as suas manifestações, ainda dominam por toda a face da terra. 

A seguir, Wesley discorre sobre as áreas do mundo ainda não alcançadas pelo cristianismo, sobre as regiões islâmicas e pagãs, mostrando que lá o cristianismo ainda não pôde influenciar as pessoas e transformá-las. Mas, ele pergunta, e quanto aos países "cristãos"? Certamente ali encontraremos uma situação diferente. Infelizmente, não é o que se pode constatar. Teremos sorte se não descobrirmos que o comportamento geral nestes países é pior do que naqueles onde ninguém conhece o cristianismo. A massa da população é cristã apenas no nome, não conhece realmente o cristianismo, nem sabe o que é. Pelo contato pessoal que teve, na Inglaterra e em outros países, com católicos, protestantes ou ortodoxos, Wesley afirma que a maioria é totalmente ignorante, tanto em relação à teoria, como à prática, do cristianismo; sem conhecer, nem ao menos os primeiros princípios, perecem por falta de conhecimento. Mesmo nos países mais afetados pela Reforma, naqueles onde se esperaria achar grandes números de cristãos praticantes e bíblicos, entre dez freqüentadores de igrejas, entre dez pessoas fiéis e assíduas, nove, com certeza, não saberiam explicar coisa alguma dos princípios básicos da vida cristã, da redenção, da ação do Espírito Santo, da justificação, do novo nascimento, da santificação interior ou exterior. E como o cristianismo poderia trazer algum bem, alguma transformação, para pessoas neste estado de ignorância? 

Vamos trazer a questão ainda mais próxima. O cristianismo bíblico não é pregado e bem conhecido entre o povo comumente conhecido como metodista? Observadores imparciais admitem que é. E não se pratica entre eles, não só a doutrina, mas a disciplina também, em todas as suas ramificações essenciais, sendo exercitada regular e constantemente? Por que, então, estes não são totalmente cristãos, já que tanto têm doutrina como disciplina cristã? Por que a saúde espiritual do povo chamado metodista não foi recuperada? Por que não temos todos nós "o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus"? Por que não aprendemos dele nossa primeira lição, tornando-nos mansos e humildes de coração? Por que não dizemos junto com ele, em todas as circunstâncias da vida: "Não minha vontade, mas a tua; não vim para fazer a minha vontade e, sim, a vontade daquele que me enviou"? Por que não fomos "crucificados para o mundo e o mundo para nós" - mortos para os "desejos impuros da carne, os desejos dos olhos e a soberba da vida"? Por que todos nós não vivemos a vida que está "escondida com Cristo em Deus"?

Para dar exemplo em apenas uma área: quem atende a estas palavras solenes: "Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra"? Das três regras que se estabelecem a este respeito, você pode encontrar muitos que observam a primeira: "Ganhem o quanto puderem". Ainda encontrará alguns poucos que observam a segunda: "Economizem o quanto puderem". Mas quantos poderá achar que praticam a terceira: "Dêem o quanto puderem"? Será que entre cinqüenta mil metodistas haverá quinhentos que o façam? E, no entanto, nada pode ser mais claro do que a conclusão de que todo aquele que guardar as primeiras duas regras sem a terceira será ainda duas vezes mais filho do inferno do que antes! 

Ó que Deus me capacitasse mais uma vez, antes que eu seja levado para nunca mais ser visto, a levantar minha voz como trombeta e falar com aqueles que ganham e economizam tudo que podem, mas não contribuem tudo que podem! Vocês são as pessoas, talvez as principais, que continuamente entristecem o Espírito Santo de Deus e, em grande medida, impedem sua influência graciosa de descer sobre nossas assembléias. Muitos dos seus irmãos, amados de Deus, não têm alimento, não têm vestimentas, não têm lugar para inclinar suas cabeças. E por que são assim angustiadas? Por que vocês estão, ímpia, injusta e cruelmente retendo deles aquilo que o Mestre, tanto seu quanto deles, colocou em suas mãos com o propósito expresso de suprir as necessidades deles! (...)

Naquilo que está gastando, Deus o recomenda? Ele o louva por aquilo que fez? Ele não lhe confiou os bens dele (e não os seus) para este fim? E agora lhe dirá: "Muito bem, servo de Deus"? Você sabe muito bem que não. Aquela despesa inútil não tem aprovação, nem da parte de Deus, nem da sua consciência. 

Mas você diz que tem condições de comprar! Que vergonha deve sentir por ter pronunciado bobagem tão desprezível com sua boca! Nunca mais deve admitir tamanha tolice, absurdo tão palpável! Um administrador tem condições de ser um fraudador descarado? De desperdiçar os bens do seu Senhor? Algum servo tem condições de fazer compromissos com o dinheiro do seu Mestre, além daquilo que este lhe ordenou? (...) 

Mas, para voltar à nossa pergunta inicial. Por que o cristianismo fez tão pouco bem, mesmo entre nós? (...) 

Claramente, porque nos esquecemos, ou pelo menos não atendemos devidamente, às solenes palavras do nosso Senhor: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, dia a dia, e siga-me". Um homem de Deus comentou, já há alguns anos: "Nunca antes houve um povo na igreja cristã que tivesse tanto poder de Deus no meio deles e, ao mesmo tempo, tão pouca abnegação". De fato, a obra de Deus realmente vai avançando de forma surpreendente, apesar desse defeito capital; entretanto, não será na intensidade que teria de outra forma, nem a Palavra de Deus terá todo seu efeito, a não ser que os ouvintes "neguem-se a si mesmos e tomem suas cruzes diariamente". (...) 

Quanto mais observo e considero estas coisas, mais claro está: ...os metodistas ficam mais e mais indulgentes para consigo mesmos, porque estão ficando mais ricos. Embora ainda haja muitos em miséria deplorável..., tantos e tantos outros, no espaço de vinte, trinta ou quarenta anos, ficaram vinte, trinta, até cem vezes mais ricos do que eram quando primeiro ingressaram na sociedade [metodista]. E é uma observação que admite poucas exceções: nove entre dez destas pessoas diminuíram na graça na mesma proporção em que aumentaram suas riquezas. De fato, de acordo com a tendência natural das riquezas, não poderíamos esperar outra coisa. Mas que fato extraordinário este! Como podemos entendê-lo? Não parece (embora não possa ser assim) que o cristianismo, o verdadeiro cristianismo bíblico, tem uma tendência, com o passar do tempo, de minar e destruir a si mesmo? Pois em todo lugar onde o verdadeiro cristianismo chega, produz diligência e frugalidade, que, no curso natural das coisas, acaba gerando riquezas! E riquezas têm o efeito de gerar soberba, amor ao mundo, e toda atitude que é destrutiva ao próprio cristianismo. Agora, se não houver meio de evitar isso, o cristianismo seria incoerente consigo mesmo e, conseqüentemente, não poderia subsistir...

Mas não há como evitar isso? (...) Admitindo que diligência e frugalidade produzem riquezas, não há um meio de impedir as riquezas de destruir a religião de quem passa a possuí-las? Só vejo um caminho possível; que descubra outro quem puder. Você está fazendo tudo para ganhar o quanto puder e economizar o quanto puder? Então, como resultado natural, você está no caminho de enriquecer-se. Porém, se tiver algum desejo de escapar à condenação do inferno, dê o quanto puder; de outra forma, não tenho mais esperança para sua salvação do que a de Judas Iscariotes. 

Do sermão 116, Causas da Ineficácia do Cristianismo, Dublin, 2 de julho de 1789. Fonte: Revista Impacto - Vozes Proféticas do Passado 

Biografia do Pr. Gunnar Vingren

Quem foi Gunnar Vingren, pioneiro no movimento pentecostal
Nasceu no dia 8 de agosto de 1897, na cidade de Ostra Husby, Suécia. Seu pai era jardineiro, profissão que Vingren seguiu até aos 19 anos. Foi criado num genuíno lar cristão. Substituindo seu pai na Escola Dominical, aos 18 anos, o Espírito Santo falou ao seu coração de que seria um missionário.
Seu Preparo Em 1898, Vingren teve oportunidade de participar de uma Escola Bíblica. Ao final daquele mês de estudos começou o trabalho missionário no interior de seu país. Em 1903, viajou para os Estados Unidos ingressando no Seminário Teológico Batista em Chicago. Em 1909, Deus o encheu de uma grande sede quanto a buscar o batismo no Espírito Santo, o que não tardou a receber. Ao pregar esta verdade à igreja que pastoreava, começaram os problemas; a igreja se dividiu entre os que acreditavam e os que não acreditavam na sua pregação. Dirigiu-se, então, para South Bend, Indiana, onde a igreja recebeu com alegria as Boas Novas, tornando-se uma igreja pentecostal com 20 batizados no Espírito Santo no primeiro verão.
Sua Chamada Para o Brasil
Numa reunião de oração foi revelado, a um dos irmãos presentes, que Gunnar Vingren serviria ao Senhor no Pará. Descobriu-se mais tarde que se tratava de um estado no norte do Brasil. Numa outra reunião de oração, Daniel Berg, seu futuro companheiro, que conhecera numa conferência em Chicago, foi chamado para acompanhá-lo ao Brasil. Depois disto, não demorou muito para que a ida ao campo se tornasse uma realidade. Seus últimos dias na América foram de provas; um atestado de que Deus era quem os chamava para o grande trabalho missionário. Finalmente, no dia 5 de novembro de 1910, partiram do porto de Nova Iorque com destino a Belém do Pará
Adaptação ao Campo
No dia 19 de novembro desembarcaram em terras brasileiras. Com certa dificuldade, sobretudo porque não falavam a língua nativa, chegaram até à casa de um pastor batista que lhes ofereceu hospedagem no interior de um corredor escuro, sem janelas, no porão da casa. Para aprenderem o português, Daniel trabalhava numa fundição durante o dia, enquanto Gunnar estudava; e, à noite, Gunnar compartilhava o que tinha aprendido. Apesar da pobreza, da simplicidade da alimentação, das doenças, do calor e dos mosquitos, a chama do Evangelho
enchia seus corações cada vez mais de alegria, atenuando assim o sofrimento. Primeira Assembléia de Deus
Depois de seis meses, Vingren foi convidado para dirigir um culto de oração. Aproveitou a oportunidade para ensinar acerca das operações do Espírito Santo e da cura divina. Durante aquela semana, nas reuniões de oração nos lares, o Senhor curou a senhora Celina Albuquerque de uma doença incurável e dias depois a batizou com Espírito Santo, sendo então, a primeira pessoa brasileira a receber a promessa. Na semana seguinte, o pastor da igreja entrou de surpresa num daqueles cultos. Depois de declarar várias acusações, insinuando que eles ensinavam falsas doutrinas, provocou uma divisão na igreja resultando na exclusão dos missionários e mais dezoito membros que os apoiaram. Então, em 18 de junho de 1911, os chamados "excluidos da Igreja Batista" formaram a primeira Assembléia de Deus.
Avanço da Obra
O trabalho missionário não se deteve. Avançando de cidade em cidade, o Evangelho era pregado e os milagres aconteciam. Sofriam muitas perseguições, sobretudo pelos católicos que eram ensinados que a Bíblia dos protestantes era falsa, e, se alguém a lesse seria conduzido ao inferno. Apesar das dificuldades, por onde passavam, o Senhor curava, salvava, batizava com o Espírito Santo e manifestava seu poder através dos seus dons, sinais e maravilhas. Dessa forma, o número de crentes crescia a cada dia. Contemplavam, também, o fim daqueles que se levantavam contra a obra, pois era o próprio Deus quem lhes dava a recompensa. Nos primeiros quatro anos de trabalho foram 384 pessoas batizadas nas águas e 276 no Espírito Santo, na igreja de Belém do Pará. Depois de cinco anos em terras brasileiras Vingren foi à Suécia, onde, por três meses pôde compartilhar as maravilhas que Deus operara no Brasil. Pouco antes de seu regresso, encontrou-se com a enfermeira chamada Frida Strandberg que também tinha chamada missionária para o Brasil. Mais tarde, eles se casaram em Belém do Pará. No desejo de que todo o Brasil recebesse a mensagem, foram enviados missionários a Alagoas e Pernambuco. Gunnar Vingren com sua família foram para o sul, passando pelo Rio de Janeiro, depois Santa Catarina e outras cidades no estado de São Paulo. Após outra série de viagens, Gunnar voltou alguns anos depois para residir permanentemente no Rio de Janeiro. Assim como no Pará, a obra pentecostal no Rio de Janeiro crescia exponencialmente. Vingren participava ali da edição do jornal "Mensageiros da Paz", além de seu trabalho como pastor e evangelista. De 5 a 10 de setembro de 1930 houve uma importante Conferência Nacional dos obreiros pentecostais em Natal; a principal decisão foi a de que a obra missionária na região norte estaria sendo dirigida exclusivamente por obreiros nacionais. Os anos seguintes foram de grande expansão da obra, sobretudo no Rio de Janeiro. No dia 15 de agosto de 1932, o pastor Gunnar Vingren e sua família despediam-se da igreja do Rio de Janeiro e do Brasil voltando à Suécia.
Seus Últimos Dias

Gunnar Vingren, no tempo que viveu no Brasil, apresentou alguns problemas de saúde que se agravaram depois que retornou à Suécia. No dia 29 de junho de 1933 ele entrou no descanso eterno. Sua esposa, através de uma carta enviada ao Brasil, descreveu detalhadamente a paz, a confiança e o consolo estampados no semblante de Gunnar no seu momento último. Família Vingren, uma existência para a glória de Deus.

Fonte: Texto Amauri Galvão

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