quarta-feira, 31 de agosto de 2011

BIOGRAFIA DE DANIEL BERG


BIOGRAFIA DANIEL BERG
Pr Daniel Berg e Família  
Família do Pr Daniel BergDaniel Berg nasceu em Vargon, na Suécia, num lar genuinamente cristão. Aos 17 anos, em 1902, fez sua primeira viagem para os Estados Unidos, isto, porque a Suécia passava por uma crise financeira muito séria. Ao final de oito anos voltou à Suécia. Nessa ocasião, ao visitar a casa de seu melhor amigo, e sendo este, um pregador do Evangelho,  foi ouvi-lo em sua igreja. E, pela primeira vez teve contato, através da preleção do pastor amigo, sobre o batismo no Espírito Santo. Depois do culto conversaram bastante sobre essa doutrina, o que fez com que Daniel Berg saísse dali convicto e buscando o seu batismo no Espírito Santo. Ainda no caminho de volta para a América ele recebeu o batismo e decidiu-se definitivamente dedicar sua vida ao Senhor.
Sua Chamada
Durante uma conferência em Chicago ele conheceu seu futuro companheiro nas missões, o sueco Gunnar Vingren, recém formado num Instituto Bíblico e desejoso de ser um missionário. Ambos, cheios do poder pentecostal, passaram a buscar direção Divina para suas vidas. Certo dia, o dono da casa que Gunnar Vingren morava teve um sonho e viu o nome Pará e foi-lhe revelado que seria uma orientação para aqueles jovens. Logo descobriram que Deus os chamava para o Brasil. Apesar do pouco entusiasmo da igreja e de nenhuma promessa de ajuda financeira, ambos, cheios de convicção da parte de Deus, foram separados para serem missionários no Brasil. A última grande confirmação da parte de Deus foi quando o Senhor pediu a Vingren que desse 90 dólares para um jornal pentecostal, exatamente o valor que eles tinham para a viagem. Em obediência, Eles o fizeram. Porém, extraordinariamente, o Senhor devolveu o exato montante, usando um irmão de outra cidade, revelado por Deus para tal. Berg e Vingren partiram para o Brasil no dia 5 de Novembro de 1910. Durante a viagem, eles já puderam experimentar um pouquinho do que seria o seu campo missionário, ganhando a primeira alma para Jesus, desde que eles foram separados como missionários. Então, no dia 19 do mesmo mês chegaram à cidade de Belém do Pará.
Sua Chegada ao Brasil
Sua primeira hospedagem foi no porão de uma Igreja Batista, cujo pastor era americano. Logo começaram a dirigir cultos para ajudar aquele pastor, falando sem constrangimento sobre a manifestação do Espírito Santo para aqueles dias. Mesmo sendo um assunto novo para aqueles irmãos, eles se interessavam cada vez mais, o que decorreu no grande aumento da assiduidade nos cultos e constantes visitas aos missionários. Enquanto isso, Berg começou a trabalhar na fundição para sustentá-los enquanto Vingren estudava português para ensiná-lo à noite.
Primeira Assembléia de Deus
A pobreza e principalmente a doença era uma constante naquele lugar, sobretudo a lepra e a febre amarela. Com isso, os irmãos freqüentavam cada vez mais o porão onde viviam Berg e Vingren, na busca de oração e conhecimento da Palavra. Ali o Senhor começou a batizar com o Espírito Santo e curar muitos enfermos. Num daqueles cultos improvisados entrou, de surpresa, o pastor da igreja, que foi cordialmente convidado a participar do culto. Recusando o convite, passou a declarar uma série de acusações com relação às, dizia ele, "falsas doutrinas" ensinadas pelos missionários. O pastor esperava contar com o apoio dos que ali estavam, mas, ao contrário, um diácono, membro dos mais antigos, se levantou e defendeu com testemunhos reais de que o batismo no Espírito Santo e a cura divina é para a atualidade. Nesse dia, Berg, Vingren e mais 18 irmãos foram expulsos daquela igreja e formaram a primeira Assembléia de Deus, que, a princípio, se reunia na casa da irmã Celina Albuquerque, a primeira crente batizada no Espírito Santo em terras brasileiras. Logo depois começou a circular pela cidade um panfleto, da parte daquele pastor batista, alertando a população contra os ensinamentos dos missionários, citando inclusive, as passagens bíblicas por eles usadas.O que parecia prejudicial tornou-se num grande impulso para propagação das verdades bíblicas, pois aqueles que os liam, ao conferir com as escrituras, passavam a crer e buscavam a igreja que crescia dia-a-dia. Dias depois, chega a primeira remessa de Bíblias e Novos Testamentos em português, o que leva Daniel Berg a se dedicar exclusivamente à venda das literaturas e pregação do Evangelho.
Avançando Para o Interior do Brasil
Quando a Palavra de Deus já havia sido distribuída em toda Belém, Berg sentiu de Deus em ir rumo a Bragança e fazer, na marcha para o interior, o mesmo trabalho para o qual era vocacionado. A tarefa não era fácil; os dois maiores inimigos eram o analfabetismo e o catolicismo herdado da colonização portuguesa. Naqueles pequenos vilarejos, o padre era a maior autoridade. Moradores e padres já haviam sido advertidos quanto à pregação de Daniel Berg e temiam a leitura da Bíblia, pois as igrejas daquelas localidades proibiam tal leitura.
Vencendo os Obstáculos
Apesar disso, o jovem continuava a bater nas portas, a ler trechos bíblicos e orar pelos enfermos. As portas se abriam aos poucos e os milagres aconteciam. Em pouco tempo já havia vinte novas igrejas entre Belém e Bragança. O próximo passo foi a caminho das selvas. O contato inicial foi difícil e a primeira família se converteu num velório quando Daniel leu sobre a ressurreição. Essa leitura foi feita para o pai e os filhos ao lado do corpo da mãe. Eles se tornaram evangelistas e contribuíram para a formação de uma grande igreja ali. Sofreram fortes perseguições por parte dos policiais, pois, o delegado estava comprometido politicamente com a igreja católica. No entanto, o nome do Senhor sempre era glorificado pelas vitórias concedia aos crentes. Berg só saiu dali quando a igreja já havia amadurecido e alcançado estabilidade espiritual.

Seus Últimos Dias

O próximo passo foi sua chegada às ilhas. Nessa região, os maiores inimigos eram os naturais. A travessia em barcos precários tornava o acesso muito perigoso, pois além do estado lastimável da embarcação, havia as piranhas e os jacarés. As grandes distâncias, as horas perdidas e o esforço com os remos, junto ao grande aumento de trabalho, tornavam a jornada quase impossível. Após um acidente sofrido por Daniel numa daquelas pequenas embarcações, decidiu, com a ajuda da igreja de Belém, comprar um grande barco a velas. Com o barco "Boas Novas" o atendimento tornou-se mais proveitoso alcançando maior extensão territorial. Devido ao seu dinamismo e chama evangelística, mesmo enfermo num hospital, saía de uma a outra enfermaria entregando literatura e orando pelos que se convertiam. Daniel Berg passou para o Senhor em 1963. 

Pr Daniel Berg e Família                                                                                                                             
 Fonte: www.adlondrina.com.br

Biografia de Jacobus, Arminius


Jacobus Arminius
JacobusArminiusnome verdadeiro Jacob Harmensen, Hermansz, ou ainda Harmenszoon (1560-1609), holandês, teólogo e ministro da Igreja Reformada Holandesa que se opôs ao dogma da predestinação e desenvolveu sua própria doutrina conhecida depois como arminianismo.
Seu pai faleceu quando Arminius era criança; dois benfeitores custearam seus estudos sucessivamente na escola primária e depois nas universidades de Leiden (1576-1582), Basel e Geneva (1582-1586). Foi ordenado em Amsterdã em 1588, onde se casou.
Em 1603 Arminius foi convidado para uma cadeira de teologia em Laiden, que ele manteve até sua morte. Pôs-se contra seu colega Franciscus Gomarus, o qual pregava que aqueles eleitos para a salvação já estavam escolhidos por Deus antes da queda de Adão.
Essa predestinação, - dogma professado pelo Calvinismo mais radical -, não deixava espaço para a misericórdia de Deus, nem para a vontade humana para alcançar a salvação. Então Arminius passou a afirmar uma eleição condicional, na qual a oferta divina da salvação poderia ser ou não afetada pela vontade livre do homem. Após sua morte alguns de seus seguidores deram apoio a suas teses assinando a "Remonstrance", um documento teológico, assinado em 1610, por 45 ministros e submetido aos Estados Gerais.
O ponto crucial do arminianismo é que a dignidade humana requer uma total liberdade de vontade. O arminianismo remonstrante foi debatido em 1618-1619 no sínodo de Dordrecht, uma assembléia da Igreja Reformada Holandesa no qual todos os delegados eram seguidores de Gomarus.
O arminianismo foi desacreditado e condenado pelo sínodo, os arminianos presentes foram expulsos, e muitos outros sofreram perseguição. Em 1629, no entanto, os trabalhos de Arminius (Opera theologica) foram publicados pela primeira vez em Leiden, e por volta de 1630 a Irmandade Remonstrante conseguiu tolerância . Foi finalmente reconhecida oficialmente na Holanda em 1795.
Fonte: Cobra, Rubem Queiroz - NOTAS: Vultos e episódios da Época Moderna. Site www.cobra.pages.nom.br

Biografia de Martinho Lutero

Sua História
Martinho Lutero nasceu a 10 de novembro de 1483 no centro da Alemanha, em Eisleben, Turíngia/Alemanha. Seus pais, João e Margarida, eram pobres - João era mineiro e lenhador - porém não iletrado, de modo que puderam dar-lhe boa orientação educacional. Visando a melhorar a vida econômica, fixaram residência, em 1484, em Mansfeld, onde Martinho iniciou seus estudos. Terminando o curso da escola daquela localidade, então com 14 anos, deixou a casa paterna e ingressou na escola superior de Magdeburgo. Depois de um ano ali, teve que retornar à casa paterna acometido de grave enfermidade, indo por esta razão, no ano seguinte, estudar em Eisenach. Três anos cursou o colégio de Eisenach. Em 1501 ingressava na Universidade de Erfurt, cidade conhecida como "Roma Alemã" pelo número de suas igrejas e mosteiros. Obteve ali os graus de Bacharel (1502) e Mestre em Arte (1505). No mesmo ano ingressou no curso de Direito.

Este, porém, foi interrompido visto que, a 02 de julho de 1505, regressando da casa paterna, teve sua vida seriamente ameaçada por uma tempestade que, por pouco, lhe tirara a vida. Fez, nesta oportunidade, um voto a Sant’ana que, se lhe fosse dado viver, ingressaria no mosteiro para tornar-se monge. No dia 17 de julho de 1505 as portas do convento da Ordem dos Agostinhos fechavam-se atrás dele.

Sacerdote

Em fevereiro de 1507 foi ordenado sacerdote. Vivia, no entanto, em completo desespero, buscando, dias e noites a fio, em tremendos tormentos espirituais, resposta à pergunta: "De que maneira conseguirei um Deus misericordioso?" Reconheceu muito logo que jamais seria possível obter certeza de sua salvação mediante boas obras, pela impossibilidade de saber se são suficientes, mormente em se tratando de uma alma de consciência extremamente sensível.

Professor
Por indicação do vigário da ordem, João de Staupitz, que reconhecia em Lutero urna erudição e inteligência incomuns, Lutero foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxônia e presidente dos sete eleitores civis que, juntamente com sete autoridades religiosas, elegiam o imperador do Sacro Império -Romano da Nação Alemã. Ocupou ali a cadeira de Teologia. Continuou também seus estudos, instruindo-se principalmente nas línguas gregas e hebraica. A 09 de março de 1509 obteve o grau de Baccalaureus Biblicus.

Viagem a Roma 


Em 1511, então com 28 anos, foi enviado em missão diplomática a Roma, para solucionar uma divergência entre sete conventos de sua Ordem e o vigário geral da mesma. A corrupção, imoralidade, as zombarias, o desrespeito do clero e da cúpula da igreja para com as coisas sagradas marcaram nele uma profunda decepção. Embora profundamente entristecido, as esmagadoras desilusões sofridas não o levaram a descrer de sua igreja.

Doutor em Teologia

Em outubro de 1512, recebia, das mãos do decano da faculdade de Teologia, o grau de Doutor em Teologia. Assumiu, a seguir, a cadeira de Lectura in Bíblia lecionando, à base das línguas originais, o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo Testamento, incorporando conquistas do humanismo na ciência da interpretação de textos. Ainda em 1512, foi eleito subprior do convento de Wittenberg. Em maio de 1515, o cabido geral reunido em Gotha o designava vigário do distrito, que compreendia onze conventos sob sua orientação e autoridade.

Preleções

As suas preleções eram tão concorridas que a elas acorriam estudantes de todas as partes e países vizinhos. Os professores assistentes também aumentavam. O reitor da Universidade chegou a declarar, como que em antevisão: "Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo, e ninguém no mundo pode combater nem destruir esta Palavra..." (Melchior, Adam. Vita Lutheri, p. 104). Ocupando o púlpito, a capela logo não mais podia comportar os assistentes. O senado o convidou então a ocupar a igreja paroquial da cidade.

Justificação pela fé
Nos seus conflitos espirituais, o texto bíblico que lhe trouxe a luz da verdade e a paz de consciência veio a ser a célebre passagem da Epístola aos Romanos (1.17), em que o apóstolo cita o profeta Habacuque: "0 justo viverá por fé" Viu que São Paulo fazia do sacrifício de Cristo o centro da verdade em religião. Seus pecados, angústias, sofrimentos haviam caído sobre os ombros de Cristo na cruz; Cristo fizera o que ao pecador teria sido impossível fazer com suas penitências e méritos pessoais.

As Teses
Em 1517, Lutero quis provocar um debate público sobre a venda de indulgências promovidas pelo Papa Leão X e o arcebispo Alberto de Mogúncia através da Ordem dos Dominicanos. Quando pregou à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, o pergaminho com as 95 teses em latim para serem debatidas entre os acadêmicos, conforme o costume da época, não desejava desencadear um movimento na história da igreja. Era o pároco que, com preocupado, via como as almas dos fiéis eram desnorteadas por um grande escândalo, descaradamente apregoado em nome da santa Igreja: a venda do perdão de Deus, como se fosse mercadoria, por meio de cartas de indulgência, cujo lucro se destinava ao término da basílica de São Pedro e à cruzada contra os turcos. Seu principal proclamador era o dominicano Tetzel. Eis algumas das teses apresentadas por Lutero: - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... etc., pretendia falar da vida interior do cristão que deveria ser um contínuo e ininterrupto arrependimento (Tese I) - Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório (Tese 27) - Todo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indigência (Tese 36) - Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma como garantia (Tese 52) As proposições sobre as indulgências eram completadas por algumas outras, que continham o que viria a ser fundamental na doutrina luterana: - Aos olhos de Deus, não há na criatura senão concupiscências; - Ninguém se salva senão pela graça de Deus através da fé. O efeito dessas teses foi tão inesperado, que elas não ficaram entre os letrados; traduzidas ao alemão, em poucas semanas se espalharam por toda a Alemanha e outras partes da Europa, chegando ao conhecimento do povo em geral.

Reação de Roma

Em 1518, Roma tratou de liquidar o caso do monge de Wittenberg. Lutero foi chamado para responder processo em Roma, dentro de sessenta dias. Mas, por interferência de Frederico, o Sábio, Príncipe da Saxônia, o Papa consentiu que a questão fosse tratada em Augsburgo, pelo Cardeal Cajetano. Este exigia simplesmente que Lutero se retratasse, o que este, naturalmente, não fez. Tinha Lutero nessa época o apoio do capítulo da Ordem dos Agostinhos e do corpo docente da Universidade de Wittenberg. Cajetano declararia depois dos três encontros com Lutero: "Ele tem olhos que brilham, e raciocínio que esconcertam".
O Papa temia suscitar oposição cerrada entre os príncipes alemães. Valeu-se, para que isso não acontecesse, da diplomacia. Condecorou o protetor de Lutero, Frederico, o Sábio, com a "Ordem da Rosa Áurea da Virtude" para afastá-lo de Lutero, e enviou o conselheiro Karl von Miltitz. Este conseguiu, com brandura, queLutero escrevesse uma carta ao papa, declarando sua fiel submissão; mas reafirmou, também, sua doutrina da justificação pela fé somente, sem os méritos de obras. Expôs e defendeu sua posição num debate com o Dr. João Eck em Leipzig. O que precipitou o rumo das coisas foi sua declaração de que nem todas as doutrinas de João Hus (queimado como herege em Constança, em 1415) eram falsas, e que os concílios são passíveis de erros em suas decisões. Isto o colocou à margem da igreja papal, que se fundamentava sobre a infalibilidade do papa e dos concílios.

Primeiros Escritos

Em 1520 escreveu três livros fundamentais mostrando o antagonismo do sistema de salvação papal e o ensino bíblico: "À Sua Majestade Imperial e à Nobreza Cristã sobre a Renovação da Vida Cristã",- "Sobre a Escravidão Babilônica da Igreja" e "Da Liberdade Cristã" ' Alguns de seus pensamentos-chave aí registrados são estes: - "0 cristão é um livre senhor sobre todas as coisas e não submisso a ninguém - pela fé"; "o cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor". "Não fazem as boas obras um bom cristão, mas um bom cristão faz boas obras".

Excomunhão

A resposta do Papa foi a bula de excomunhão Exsurge Domine. Tinha ainda 60 dias para retratar-se do que havia escrito e ensinado. Em 03 de janeiro de 1521 esgotou-se o prazo dado na bula, sendo então proferido o anátema definitivo, pela bula Decet Romanum Pontificem.

Dieta de Worms

Em 1521 reunia-se a primeira Dieta ou Assembléia do império, presidida pelo jovem imperador Carlos V, eleito em 1520, em sucessão a Maximiliano, para dirigir o reino "em que o sol não se punha". Lutero, intimado, compareceu diante da assembléia em 17 e I S de abril de 15 2 1. Perguntado se renunciava ao que tinha escrito, respondeu: "Não posso, nem quero retratar-me, a menos que seja convencido do erro por meio da palavra bíblica ou por outros argumentos claros. Aqui estou; não posso de outra maneira! Que Deus me ajude. Amém".

Tradução do Novo Testamento
Proscrito pelo imperador, foi posto em segurança pelo duque Frederico, através de um seqüestro simulado de cavaleiros embuçados, durante sua viagem de retomo, e escondido no Castelo de Wartburgo, nas proximidades de Eisenach. Sua principal realização nesse período foi a tradução do Novo Testamento grego para um alemão fluente de grande aceitação popular. Os primeiros 5 mil exemplares esgotaram-se em 3 meses. Em cerca de dez anos houve 58 edições. Em 1522, com risco de vida, reassumiu as funções de professor em Wittenberg. Juntamente com Felipe Melanchthon (cognominado Praeceptor Germaniae - educador da Alemanha), seu grande amigo e colaborador, instruiu centenas de estudantes alemães, boêmios, poloneses, finlandeses, escandinavos.

Guerra dos Camponeses

Marcou o ano de 1525 a Guerra dos Camponeses - uma revolução armada em que os camponeses, sob federação, reivindicaram mais liberdade aos latifundiários. Em seus objetivos políticos sociais idealizaram Martinho Lutero como chefe. Confundiram reivindicações políticas com aspirações religiosas. Lutero, embora compreendendo suas necessidades, viu-se forçado a distanciar-se do movimento porque não era política a missão dele. A carnificina, com batalha final em Frankenhausen, trouxe prejuízos ao movimento da Reforma. Mas esta, a despeito de todos os abusos praticados em seu nome, se expandia. Lutero procurava consolidar as igrejas e escolas que haviam aderido à Reforma em território alemão e países vizinhos. Neste mesmo ano (I 525) casou-se com uma ex-freira, Catarina de Bora, de cujo casamento lhes nasceram 6 falhos.

Culto e Liturgia

De 1527 a 1529 esteve empenhado na organização da Igreja Evangélica. Compositor e poeta, compôs trinta e sete hinos. Cabe-lhe a celebridade de popularizar o Lied eclesiástico. Era também conhecido como o "Rouxinol de Wittenberg". Traduziu a ordem da missa para o alemão - Deutsche Messe 1526 - a partir do que os cultos passaram a ser celebra. dos na língua do povo, e não no latim que ninguém entendia.

Os dois Catecismos
Em 1529 redigiu dois manuais de instrução, até hoje em uso nas igrejas luteranas: "Catecismo Menor" e "Catecismo Maior" Os dois volumes apresentam, em seis partes, um sumário da doutrina cristã. O primeiro é escrito, especialmente, para as crianças; o segundo, para os pais. Justificando, o Reformador afirma: "A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a preparar este Catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias". Numa outra oportunidade afirma: "Eu também sou doutor e pregador, e, na verdade, tenho de continuar diariamente a ler e estudar, e ainda assim não me saio como quisera, e devo permanecer criança e aluno do Catecismo".

Somente a Escritura

No mesmo ano realizou-se, no mês de outubro, um encontro entre Ulrico Zwínglio e Lutero para um debate doutrinário, denominado Colóquio de Marburgo, urna controvérsia eucarística. O pregador Zwínglio, que vivia na Suíça, também reconhecera a apostasia da igreja romana, pregai)do a Palavra e testemunhando contra as indulgências. Diferia, no entanto, da doutrina de Lutero e a discrepância básica resumia-se na pergunta: Os artigos de fé devem basear-se exclusivamente na Palavra de Deus ou também na razão humana? Não chegaram a um acordo, visto que a resposta de Lutero não admitia dúvida: A Escritura, e nada além dela, é fonte de artigos de fé, como também, mais tarde, a Fórmula de Concórdia o expressa: "Cremos, ensinamos e confessamos que somente os escritos proféticos e apostólicos do Antigo e do Novo Testamento são a única regra e norma segundo a qual devem ser ajuizadas e julgadas igualmente todas as doutrinas e todos os mestres".

Confissão de Augsburgo
Auxiliou o duque João Frederico a delinear sua estratégia em relação à Dieta de Augsburgo (l53O), convocada Pelo imperador para superar o cisma- Acompanhou a redação, por Felipe Melanchthon, duma defesa oficial, que veio a chamar-se Confissão de Augsburgo.

O documento - a primeira e mais notável das confissões evangélicas - foi lido em público à assembléia imperial, em nome de príncipes e cidades partidárias da Reforma, a 25 de junho de 1530. Era Composto o documento de duas partes: uma, dogmática; outra, apologética. Argumentavam na Confissão que, quanto à doutrina, continuavam fiéis ao que a igreja vinha ensinando à base das Escrituras Sagradas, conforme os Credos Apostólico e Niceno; com respeito ao culto, mantinham os ritos antigos consentâneos ao evangelho, cancelando apenas aqueles costumes, ritos e cerimônias que obscureciam a glória de Jesus Cristo como o único Mediador entre Deus e Os homens. Reivindicaram, por conseguinte, o direito de conviver em Paz com o papa e os bispos no seio da igreja do império. O imperador, ouvida a Confissão, determinou que os teólogos de Roma elaborassem a Confutação Católica à confissão de Augsburgo. A 03 de agosto fez-se a leitura desta. Não terminava ainda a apresentação de confissões religiosas, e Lutero e Melanchthon responderam à Confutação com a Apologia da Confissão de Augsburgo, de alto valor teológico, mas da qual a Dieta não quis tomar conhecimento. A Dieta lhes concedeu o prazo até 15 de abril de 1531 para voltarem ao seio da igreja romana e exigiu rigoroso cumprimento do Édito de Worms. Embora desaconselhados por Lutero, constituiu-se em fevereiro de 1531 uma poderosa agremiação política dos príncipes luteranos, denominada "Lida de Esmalcalde". Porém, em vista do perigo dos turcos às portas do império, em Viena, o imperador dependia do auxilio militar dos príncipes evangélicos; por isso, pela Paz de Nüremberg, para a qual Lutero muito contribuiu, em 1532, permitiu aos adeptos da Confissão de Augsburgo a persistirem nas suas doutrinas e concedia-lhes ainda outros privilégios. Essa tolerância seria dada até a realização de um concílio da igreja.

Tradução do Antigo Testamento

Não houve, assim, apesar dos esforços, uma maneira de restabelecer a unidade na igreja e no império. Em 1534 Lutero terminava uma tarefa em que havia trabalhado mais de 10 anos: a tradução do Antigo Testamento para o alemão. No mesmo ano pode-se publicar, então, a Bíblia completa. Em 1536 Lutero redigiu, por solicitação do duque João da Saxônia, artigos para serem apresentados num "Concilio geral livre" convocado pelo Papa. Os Artigos de Esmalcalde, porém, não chegaram a ser apresentados. Os líderes evangélicos concluíram que o concilio não seria livre e se negaram a participar do Concílio de Trento (l545 - 1563), que desencadeou a contra-reforma, no pontificado de Paulo III.

Paz de Augsburgo

A Paz de Augsburgo, em 1555, atendeu, de certa forma, aos reclamos dos evangélicos. Substituiu a tolerância religiosa nestes termos: os príncipes e cidadãos do império respeitariam a filiaçao religiosa de cada um, e o povo teria a opção de adotar a confissão religiosa do respectivo domínio ou de emigrar a território que tivesse a confissão desejada.
Martinho Lutero faleceu aos 62 anos de idade, em 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben, depois de solucionar um litígio entre os condes de Mansfeld. Com grande cortejo fúnebre e ao som de todos os sinos, Lutero foi sepultado sob as lajes da igreja do Castelo de Wittenberg, onde sempre pregava o evangelho.

Contra-Reforma

A Contra-reforma, liderada pela ordem dos jesuítas, reconquistou vários territórios que tinham aderido à Reforma. Não obstante, a doutrina, o culto e a piedade preconizados por Lutero se enraizaram na Alemanha, nos países bálticos, nos países escandinavos e na Finlândia. Através doutros reformadores, foram acolhidos na França, Inglaterra, Escócia e Países ' Baixos. Em todos estes países, a Reforma ocasionou extraordinário desenvolvimento cultural, notadamente na educação, ciência, economia e política. Pela emigração, os "Luteranos" se espalharam por todos os continentes. Contam, hoje, cerca de 70 milhões. Frade, sacerdote, professor, doutor em Teologia, pregador considerado o primeiro de seu tempo, escritor vigoroso e de grande riqueza lexicografia, fixador da língua alemã, poeta e músico, Lutero abalou o mundo de seus dias e sobre ele se tem pronunciado. ciado o juízo dos séculos.

Pronunciamentos sobre Lutero
O historiador Schaff diz que "este foi o maior homem que a Alemanha produziu e um dos maiores vultos da história". Goethe dá o seu testemunho nestes termos: 'Dificilmente compreendemos o que devemos a Lutero e à Reforma em geral. Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (... ) compreendemos o cristianismo em sua pureza". .Heinrich -Heine, o poeta excelso, exclama: "Honra a Lutero, a quem devemos a reconquista dos nossos direitos mais sagrados, e de cujos benefícios vivemos hoje em dia. Através de Lutero adquirimos a liberdade religiosa. Criou a palavra para o pensamento. Criou a língua alemã, através da tradução da Bíblia": Dollinger, historiador católico liberal, diz: "Lutero deu aos alemães o que nenhum outro jamais dera a seu povo: a língua, a Bíblia, a hinologia..." É reconhecido c omo "pai da alfabetização". Dirigiu-se aos pais através de profusas publicações, encarecendo-lhe a escola e a educação dos filhos como necessidade inadiável, para a pátria e a igreja verem melhores dias. Um escritor moderno declarou: "A Lutero deve a Alemanha seu esplendido sistema educacional - em suas origens e concepções. Porque ele foi o primeiro a reclamar uma educação universal, uma educação do povo todo, sem consideração de classe". Deixou à posteridade, em sua fecundidade literária, dezenas de volumes contendo obras doutrinárias, apologéticas, exegéticas, homiléticas, pastorais e pedagógicas. Funck-Brentano, célebre historiador contemporâneo assim se expressa: "Qualquer que seja o julgamento formulado em torno da doutrina religiosa de Martinho Lutero, é preciso reconhecer nele uma das mais poderosas personalidades que o mundo conheceu. Sua energia, seu valor, sua poderosa ação - que decorriam em grande parte da intensidade de suas convicções - estão acima de todo elogio. Calculou-se que seriam precisos a um homem dez anos de vida para simples cópia das cartas, orações e inumeráveis escritos do reformador, e Lutero não só redigiu suas obras, mas pensou-as, deu-lhes estudo e reflexões, corrigiu-as, e isso entre ocupações múltiplas, quase sempre absorventes e das mais diversas, suas prédicas, sua atividade social e política, os cuidados e o tempo que consagrou aos antigos e à família" (Martim Lutero, pág. 22, Ed Veccki). Dezenas de testemunhos dessa natureza poder-se-ia acrescentar à sua pessoa. Os exemplos citados, porém, exemplificam o veredito sobre sua pesso e a obra deixada até os nossos dias atesta a sua grandiosidade.

Charles Haddon Spurgeon – Um dos maiores pregadores de todos os tempos


Houve época em que o simples fato de optar pela religião evangélica equivalia a colocar a cabeça a prêmio. No século
 15, Carlos V, o imperador espanhol, queimou milhares de evangélicos em praça pública. Seu filho, Filipe II, vangloriava-se de ter eliminado dos países baixos da Europa cerca de 18 mil “hereges protestantes”. Para fugir da perseguição implacável, outros milhares de cristãos foram para a Inglaterra. Dentre eles, estava a família de Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), o homem que se tornaria um dos maiores pregadores de todo o Reino Unido. Charles obteve tão bom resultado em seu ministério evangelístico que, além de influenciar gerações de pastores e missionários com seus sermões e livros, até hoje é chamado de Príncipe dos pregadores.
O maior dos pecadores – Spurgeon era filho e neto de pastores que haviam fugido da perseguição. No entanto, somente aos 15 anos, ocorreu seu verdadeiro encontro com Jesus. Segundo os livros que contam a história de sua vida, Spurgeon orou, durante seis meses, para que, “se houvesse um Deus”, Este pudesse falar-lhe ao coração, uma vez que se sentia o maior dos pecadores. Spurgeon visitou diversas igrejas sem, contudo, tomar uma decisão por Cristo.
Certa noite, porém, uma tempestade de neve impediu que o pastor de uma igreja local pudesse assumir o púlpito. Um dos membros da congregação – um humilde sapateiro – tomou a palavra e pregou de maneira bem simples uma mensagem com base em Isaías 45.22a: Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra. Desprovido de qualquer experiência, o pregador repetiu o versículo várias vezes antes de direcionar o apelo final. Spurgeon não conteve as lágrimas, tamanho o impacto causado pela Palavra de Deus.
Início de uma nova caminhada – Após a conversão, Spurgeon começou a distribuir folhetos nas ruas e a ensinar a Bíblia na escola dominical para crianças em Newmarkete Cambridge. Embora fosse jovem, Spurgeon tinha rara habilidade no manejo da Palavra e demonstrava possuir algumas características fundamentais para um pregador do Evangelho. Suas pregações eram tão eletrizantes e intensas que, dois anos depois de seu primeiro sermão, Spurgeon, então aos 20 anos, foi convidado a assumir o púlpito da Igreja Batista de Park Street Chapel, em Londres, antes pastoreada pelo teólogo John Gill. O desafio, entretanto, era imenso. Afinal, que chance de sucesso teria um menino criado no campo (Anteriormente, Spurgeon pastoreava uma pequena igreja em Waterbeach, distante da capital inglesa), diante do púlpito de uma igreja enorme que agonizava?
Localizada em uma área metropolitana, Park Street Chapel havia sido uma das maiores igrejas da Inglaterra. No entanto, naquele momento, o edifício, com 1.200 lugares, contava com uma platéia de pouco mais de cem pessoas. A última metade do século 19 foi um período muito difícil para as igrejas inglesas. Londres fora industrializada rapidamente, e as pessoas trabalhavam durante muitas horas. Não havia tempo para as pessoas se dedicarem ao Senhor. No entanto, Spurgeon aceitou sem temor aquele desafio.
Tamanha audiência – O sermão inaugural de Spurgeon, naquela enorme igreja, ocorreu em 18 de dezembro de 1853. Havia ali um grupo de fiéis que nunca cessou de rogar a Deus por um glorioso avivamento. No início, eu pregava somente a um punhado de ouvintes. Contudo, não me esqueço da insistência das suas orações. As vezes, parecia que eles rogavam até verem a presença de Jesus ali para abençoá-los. Assim desceu a bênção, a casa começou a se encher de ouvintes e foram salvas dezenas de almas, lembrou Spurgeon alguns anos depois.
Nos anos que se seguiram, o templo, antes vazio, não suportava a audiência, que chegou a dez mil pessoas, somada a assistência de todos os cultos da semana. O número de pessoas era tão grande que as ruas próximas à igreja se tomaram intransitáveis. Logo, as instalações do templo ficaram inadequadas, e, por isso, foi construído o grande Tabernáculo Metropolitano, com capacidade para 12 mil ouvintes. Mesmo assim, de três em três meses, Spurgeon pedia às pessoas, que tivessem assistido aos cultos naquele período, que se ausentassem a fim de que outros pudessem estar no templo para conhecer a Palavra.
Muitas congregações, um seminário e um orfanato foram estabelecidos. Com o passar do tempo, Charles Spurgeon se tornou uma celebridade mundial. Recebia convites para pregar em outras cidades da Inglaterra, bem como em outros países como França, Escócia, Irlanda, País de Gales e Holanda. Spurgeon levava as Boas Novas não só para as reuniões ao ar livre, mas também aos maiores edifícios de 8 a 12 vezes por semana.
Segundo uma de suas biografias, o maior auditório em que pregou continha, exatamente, 23.654 pessoas: este imenso público lotou o Crystal Palace, de Londres, no dia 7 de outubro de 1857, para ouvi-lo pregar por mais de duas horas.
Sucesso – Mais de cem anos depois de sua morte, muitos teólogos ainda tentam descobrir como Spurgeon obtinha tamanho sucesso. Uns o atribuem às suas ilustrações notáveis, a habilidade que possuía para surpreender a platéia e à forma com que encarava o sofrimento das pessoas. Entretanto, para o famoso teólogo americano Ernest W. Toucinho, autor de uma biografia sobre Spurgeon, os fatores que atraíam as multidões eram estritamente espirituais: O poder do Espírito Santo, a pregação da doutrina sã, uma experiência de religioso de primeira-mão, paixão pelas almas, devoção para a Bíblia e oração a Cristo, muita oração. Além disso, vale lembrar que todas as biografias, mesmo as mais conservadoras, narram as curas milagrosas feitas por Jesus nos cultos dirigidos pelo pregador inglês.
As pessoas que ouviam Spurgeon, naquela época, faziam considerações sobre ele que deixariam qualquer evangélico orgulhoso. O jornal The Times publicou, certa ocasião, a respeito do pastor inglês: Ele pôs velha verdade em vestido novo. Já o Daily Telegraph declarou que os segredos de Spurgeon eram o zelo, a seriedade e a coragem. Para o Daily Chronicle, Charles Spurgeon era indiferente à popularidade; um gênio, por comandar com maestria, uma audiência. O Pictorial World registrou o amor de Spurgeon pelas pessoas.
Importância – O amor de Spurgeon tinha raízes. Casou-se em 20 de setembro de 1856 com Susannah Thompson e teve dois filhos, os gêmeos não-idênticos Thomas e Charles. Fazíamos cultos domésticos sempre; quer hospedados em um rancho nas serras, quer em um suntuoso quarto de hotel na cidade. E a bendita presença do Espírito Santo, que muitos crentes dizem ser impossível alcançar, era para nós a atmosfera natural. Vivíamos e respirávamos nEle, relatou, certa vez, Susannah.
A importância de Charles Haddon Spurgeon como pregador só encontra parâmetros em seus trabalhos impressos. Spurgeon escreveu 135 livros durante 27 anos (1865-1892) e editou uma revista mensal denominada A Espada e a Espátula. Seus vários comentários bíblicos ainda são muito lidos, dentre eles: O Tesouro de Davi (sobre o livro de Salmos), Manhã e Noite (devocional) e Mateus – O Evangelho do Reino. Até o último dia de pastorado, Spurgeon batizou 14.692 pessoas. Na ocasião em que ele morreu – 11 de fevereiro de 1892 -, seis mil pessoas leram diante de seu caixão o texto de Isaías 45.22a: Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra.

Biografia de João Calvino

ImageReligioso francês (10/7/1509-27/5/1564). Principal teórico da Reforma Protestante do século XVI, ao lado do alemão Martinho Lutero. Nasce em Noyon, filho de um secretário do bispado da cidade. Estuda latim, filosofia e dialética a partir de 1523 e forma-se em direito pela Universidade de Paris.
Em 1532 marca sua adesão à Reforma Protestante com a obra Dois Livros sobre a Clemência ao Imperador Nero. Em 1535, aos 26 anos, é reconhecido como chefe do protestantismo francês. Muda-se para Genebra, na Suíça, para disseminar o novo credo, mas é perseguido pelas autoridades católicas e obrigado a refugiar-se em Estrasburgo - território francês.
Três anos depois, volta a Genebra e organiza uma nova Igreja, com pastores escolhidos pelos fiéis. Funda também o Colégio de Genebra, que se torna um dos centros universitários mais importantes da Europa.
Sua doutrina é conhecida como calvinismo e diferencia-se do luteranismo na noção de predestinação: para Calvino, a salvação é uma escolha divina, cabendo ao homem cooperar com a vontade de Deus, qualquer que seja ela. De ideologia ascética e puritana, ele inspira, mais tarde, a religião presbiteriana. Morre em Genebra.                                                                                                 Fonte: www.algosobre.com.br

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A INFLUÊNCIA CULTURAL DA IGREJA


13º Lição - 25 de SETEMBRO de 2011

A PLENITUDE DO REINO DE DEUS
Texto Áureo: Is. 11.1 – Leitura Bíblica: Is. 11.1-9

Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

Objetivo: Mostrar aos alunos que na consumação de todas as coisas
Deus estabelecerá plenamente o Seu Reino e o entregará como herança
aos que tiverem recebido a Jesus Cristo como o seu Salvador.

INTRODUÇÃO
Conforme temos estudado ao longo deste trimestre, o Reino de Deus é
estabelecido a partir da tensão entre o “já” e o “ainda não”. Isso quer dizer
que experimentamos já a realidade do Reino, mas que esse somente será
pleno no futuro. Na lição de hoje destacaremos alguns aspectos
escatológicos – que dizem respeito às últimas coisas – do Reino.
Primeiramente discorreremos sobre o arrebatamento, a bendita esperança
da Igreja. Em seguida, a implantação do Reino Milenal de Cristo. E
por fim, a eternidade, a consumação final que se estabelecerá para sempre. 

1. ARREBATAMENTO, A ESPERANÇA DA IGREJA
O arrebatamento é apresentado no Novo Testamento como um “translado”
 (I Co. 15.51-52; I Ts. 4.15-17) no qual Cristo virá para a sua Igreja.
A vinda de Cristo, propriamente dita, com seus santos. Paulo trata do
arrebatamento como um “mistério” (I Co. 15.51-54), isto é, uma verdade
não revelada até seu desvendamento pelos apóstolos (Cl. 1.26), sendo
assim, um evento em separado. O ensinamento bíblico é o de que Cristo
pode voltar a qualquer momento para arrebatar a sua igreja, sem sinais
ou advertências prévias. É isso que significa iminência, um acontecimento
que pode acontecer repentinamente (I Co. 1.7; 16.22; Fp. 3.20; 4.5;
 I Ts. 1.10; 4.15-18; I Ts. 5.6; I Tm. 6.14; Tt. 2.13; Hb. 9.28; Tg. 5.7-9;
I Pe. 1.13; Jd. 21; Ap. 3.11; 22.7,12,20; 22.17,20). Todas essas passagens
mostram que não haverá sinais específicos antes do arrebatamento da igreja.
Os sinais de Mt. 24 não são para a igreja, mas para os santos da
Tribulação, e como bem sabemos, nenhuma passagem da Tribulação se
refere à igreja, mas a Israel (Dt. 4.29,30; Jr. 30.4-11; Dn. 8.24-27; 12.1,2).
Se existe algum sinal para a igreja, que precede ao arrebatamento, esses se
encontram em I Tm. 4.1 e II Tm. 3.1. A Igreja é instruída a amar a volta
de Cristo, como uma noiva que aguarda o seu amado para o casamento
(I Pe. 1.8). Esse momento de expectativa deva ser caracterizado não
por ansiedade, sequer devemos atrever-nos a marcar dia ou hora, mas a
buscar uma vida pura, em santidade, agradando Àquele que nos salvou
 (I Jo. 3.2-3; II Pe. 3.11-15).

2. O MILÊNIO E A PLENITUDE DO REINO DE DEUS
O Milênio será estabelecido por quando Cristo voltar em glória (Is. 60.20;
61.2; Ez. 21.27; Dn. 7.22) e terá a duração de mil anos (Ap. 20.6).
Esse será o período da manifestação plena da gloria de Jesus Cristo
(Is. 9.6; Sl. 45.4; Is. 11.4; Sl. 2.9; 72.4). Por ocasião do Milênio se
cumprirão as promessas da aliança de Deus com Abraão a respeito
da terra e da descendência (Is. 10.21,22; 19.25; 43;1; 65.8,9; Jr. 30.22;
 32.38; Ez. 34.24,30,31; Ma. 7.19,20; Zc. 13.9; Ml. 3.16-18).
Também se cumprirão às promessas da aliança com Davi (Is. 11.1,2;
55.3,11; Jr. 23.5-8; 33.20-26; Ez. 34.23-25; 37.23,24; Os. 3.5; Mq. 4.7,8).
Durante o Milênio Satanás estará preso (Ap; 20.1-3, aquele que é o Deus
 desta era (II Co. 4.4). Finalmente, durante o Milênio as pessoas
experimentarão a manifestação da justiça (Is. 11.5; 32.1; Jr. 23.3; Dn. 9.24).
 Cristo será a figura central no Reino Milenal, como o Renovo
(Is. 4.2; 11.1; Jr. 23.5; Zc. 3.8,9), o Senhor dos Exércitos (Is. 24.23; 44.6),
 o Senhor (Mq. 4.7; Zc. 14.9), o tronco de Jessé (Is. 11.1,11), o filho do homem
(Dn. 7.13). Esse será um período de jurisprudência gloriosa, no qual Jesus
anunciará a vontade e alei de Deus (Dt. 18.18,19; Is. 33.21,22; At. 3.22;
Is. 2.3; 42.4). O Reino Milenial de Cristo será caracterizado: 1) pela justiça
 (Mt. 25.37; Is. 60.21; Ml. 4.2; Sl. 110.4; Hb. 7.2); 2) pela obediência
 (Ef. 1.9,10; Sl. 22.27,28; Ml. 1.11); 3) pela santidade (Is. 6.13; 35.8-10); 4)
 pela verdade (Is. 42.3; Jr. 33.6); e 5) pela plenitude do Espírito (Jl. 2.28,29;
 Ez. 37.14; Is. 32.15; 44.3). Essa será uma época de plenitude do Reino, no
 qual haverá paz (Is. 2.4), alegria (Is. 9.3,4), santidade (Is. 1.26,27), glória
 (Is. 24.23), consolo (Is. 12.1,2), justiça (Is. 11.5), conhecimento pleno
 (Is. 11.1,2,9), instrução (Is. 2.2,3), sem maldição (Is. 11.6-9), sem doença
 (Is. 33.24), de proteção (Is. 41.8-14), de liberdade (Is. 14.3-6), de reprodução
 (Jr. 30.20), de trabalho (Is. 62.8,9), de prosperidade econômica (Is. 4.1)
 e de adoração (Is. 45.23).

3. ETERNIDADE E A CONSUMAÇÃO FINAL DO REINO
A terra nos foi dada pelo Senhor para que dela fôssemos mordomos, por
 isso, enquanto aqui estivermos, precisamos tratá-la com carinho, pois
 esses princípios foram deixados por Deus para Israel e que podem ser
aplicados aos dias de hoje (Ex. 23.11,29; Lv. 25.5; II Cr. 36.21;
Sl. 104.13,14,30). Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que essa
 terra, no devido tempo estabelecido por Deus, passará (II Pe. 3.10).
Quando isso acontecer, o Senhor nos proverá uma nova terra, a Nova
Jerusalém celestial (Hb. 12.22; Ap. 21.1,2), edificada por Deus e
prometida aos santos (Hb. 11.16; 12.22) e testemunhada por aqueles
que adentraram ao Milênio (Ap. 13.6). Essa será uma espécie de cidade
 satélite de onde o Rei, Jesus, governará com os santos (Ap. 21.1-3)
que foram ressuscitados e/ou arrebatados (I Ts. 4.16,17). O céu é um
 lugar de bênçãos sem igual, pois lá não haverá lágrimas (Ap. 21.4),
nem morte (Ap. 21.4), e muito menos sofrimento (Ap. 21.4). O escritor
 sacro nos diz que ali também não haverá noite (Ap. 21.23-25) nem
 imoralidade, rebelião e violência (Ap. 21.27). A maldição do pecado,
por fim, perderá o seu poder (Ap. 22.3). No céu se dará a plenitude
do relacionamento com Deus em Cristo, pois lá nós O conheceremos
perfeitamente (Ap. 21.3; 22.4), O adoraremos e O serviremos (Ap. 22.3),
 não havendo, portanto, necessidade de templos (Ap. 21.22). Como se
tudo isso já não fosse o bastante, ainda teremos o privilégio de reinar com
Cristo (Ap. 22.5).

CONCLUSÃO
Concluímos este trimestre com uma mensagem de esperança. Na verdade
, o Reino de Deus traz esperança para os desalentados. A morte não é o
fim, pois aguardamos o arrebatamento iminente da Igreja. Para aqueles
que já se foram, resta a certeza da ressurreição (I Ts. 4.13-17).
Conforme instrui Paulo aos crentes de Tessalônica, essa é uma verdade
 confortadora. Na glorificação do Corpo e no estabelecimento do
Milênio, a igreja verá a plenitude do Reino de Deus, o qual já experimentamos,
ainda que em parte. Louvamos a Deus pelas lições deste trimestre, pela
 percepção integral de Reino que o Senhor nos possibilitou por meio desses
estudos.

BIBLIOGRAFIA
PENTECOST, J .D. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2002.
SILVA, A. G. O calendário da profecia. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

11 DE SETEMBRO DE 2011


Lição 12

A INTEGRIDADE DA DOUTRINA CRISTÃ
Texto Áureo: II Tm. 3.16,17 – Leitura Bíblica: II Tm. 3.14-17;
 Tt. 2.1,7,10

Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

Objetivo: Ressaltar a relevância da integridade da doutrina cristã para a
maturidade da igreja.

INTRODUÇÃO
Ao longo da sua história, a igreja sofreu ataques de todos os lados, tanto
de fora quanto de dentro. Em I Tm. 4.1, Paulo admoesta a Timóteo em relação
às doutrinas que se proliferariam nos últimos dias. Em II Tm. 3.1-14, o mesmo
apóstolo lista as implicações práticas das doutrinas enganadoras, difundidas por
aqueles que não têm compromisso com as verdades cristãs. O antídoto contra
 as falsas doutrinas é apresentado em II Tm. 3.15-17, o conhecimento e a
prática da doutrina verdadeira. Ciente dessa realidade evidente na atualidade,
estudaremos, na lição de hoje, a respeito da relevância da doutrina cristã na
 igreja.

1. DEFININDO DOUTRINA CRISTÃ
O termo doutrina – didachê em grego – significa, basicamente, ensino
e instrução. Os ensinamentos de Cristo, em Mt. 7.28; 22.23; Mc. 1.22,27; 4.2;
12.38; Jo. 7.16; 18.19, podem ser denominados de doutrina, mais especificamente
doutrina de Cristo, e, por essa característica, de doutrina cristã
(At. 13.12; II Jo. 9). A necessidade de uma sã doutrina, baseada nos
ensinamentos dos apóstolos, é destacada por Paulo em I Tm. 1.10;
4.6,13; 5.17; 6.1. A relevância do ensinamento é apontada ainda em Rm. 6.17;
16.17; Tt. 1.9; II Tm. 4.2; II Jo. 10. O autor da Epístola aos hebreus utiliza a
palavra grega logos – palavra – em Hb. 6.1 – para se referir à doutrina
 em relação ao ensinamento fundamental de Cristo. A palavra portuguesa
 – doutrina – vem do verbo latino docere, que significa “ensinar”. Há igreja,
 por natureza, tem uma função educativa, o próprio Jesus nos instrui para
que aprendamos dEle (Mt. 11.29). Jesus destacou a relevância do ensino
 na Grande Comissão, na tarefa de fazer discípulos (Mt. 28.20). Dentre
 os dons ministeriais, Paulo elenca o do ensino, reconhecendo que os mestres
 são dádivas divinas (Ef. 4.11), e a necessidade de que haja na igreja pessoas
 idôneas na Palavra, a fim de passar os ensinamentos de Cristo às gerações
 seguintes (II Tm. 2.2). O ensinamento na igreja é um dom espiritual, mas
carece de esmero, ou seja, dedicação (Rm. 12.7), portanto, aqueles que
atuam nessa área devam investir no conhecimento das Escrituras. Paulo
 é um exemplo de mestre na doutrina cristã. Ele diz não ter se negado a
ensinar aos crentes da igreja (At. 20.20). Jesus foi um Mestre por excelência,
pois Ele ensinava com autoridade (Mt. 7.28,29), por isso seus discípulos
O chamavam de Rabi (Mt. 26.25,49; Mc. 9.5; 11.21; Jo. 1.38,49; 4.31),
bem como outras pessoas (Jo. 3.2; 6.25). O próprio Jesus referiu a si
 mesmo como Mestre em Mt. 23.8 e Jo. 13.13. Por isso, uma igreja que
 é cristã, precisa estar disposta a ouvir os ensinamentos de Jesus,
conforme expostos no Evangelho.

2. O PERIGO DAS FALSAS DOUTRINAS
A importância do ensinamento cristão se dá, entre outros motivos, em
 resposta aos falsos ensinamentos que se propagam no seio da igreja, os
evangelhos diferentes (II Co. 11.4). O Senhor Jesus destacou os
 perigos dos falsos ensinamentos, que resultaria no engano de muitos, até
 mesmo dos eleitos (Mt. 7.15-20). Seguindo as instruções bíblicas, devemos
 ter cuidado para não nos tornarmos presa fácil das falsas doutrinas.
 Para tanto, precisamos julgar os espíritos, pois existem muitos que não
 provêem de Deus (I Jo. 4.1). Em sua Epístola aos Gálatas, Paulo
repreende os crentes por terem deixado a sã doutrina e seguirem um outro
evangelho (Fl. 1.7-9), e destaca o fruto do Espírito, como a característica
 central para identificar se alguém, de fato, professava a genuína fé
 (Gl. 5.22,23). Além desses critérios, existem outros fundamentados na Bíblia:
1) reverência e humildade, em oposição à arrogância e grosseria
(II Co. 10.18); 2) amabilidade ou imposições (II Tm. 2.24-26); 3)
desrespeito às autoridades, inclusive o Senhor, governo e pais (II Pe. 2.10-12;
Jd. 8-10); 4) falta de respeito e amor em relação à liderança cristã (I Co. 3.1-9);
 5) ao invés de fomentarem o amadurecimento espiritual criam dependência
 (At. 17.11; Ef. 4.11-16); 6) exploração financeira dos fiéis (I Pe. 5.2;
II Pe. 2.3); 7) falta de observância aos padrões divinos de sexualidade
(II Pe. 2.14); 8) falta de compromisso com a Palavra de Deus, querem agradar
aos ouvintes, por isso falam o essas querem, não o que está escrito
(II Tm. 4.3,4); 9) sobrecarregam os fiéis a fim de satisfazerem interesses
 próprios (Fp. 2.3,4); 10) centralizam a atenção em si mesmos, ao invés de
 focarem Jesus Cristo (At. 20.28-31; III Jo. 9,10); 11) colocam-se sempre
 acima das pessoas, como celebridades, não se consideram irmãos (Mt. 23.8-12);
e 12) incitam o culto à personalidade, pessoas são supervalorizadas (Gl. 2.11-21).
 Esses critérios bíblicos são fundamentais para a identificação de grupos
doutrinários e doutrinas que não correspondem à Palavra de Deus.

3. A DOUTRINA CRISTÃ NA IGREJA
O antídoto contra os falsos ensinamentos na igreja é o investimento no doutrina,
no ensinamento bíblico, como orientou Paulo a Timóteo (II Tm. 3.15-17).
A igreja cristã deve priorizar o ensinamento bíblico. Infelizmente, ao invés
de incentivarem os crentes a participar da Escola Dominical, muitos
líderes promovem movimentos sensacionalistas. As escolas bíblicas, outrora
 uma realidade nas igrejas, devem ser resgatadas, com duração suficiente
 para que ocorra aprendizado efetivo. Os institutos bíblicos não devem
 ser censurados, principalmente quando esses servirem de aliados para a
formação doutrinária da igreja, e cujo fim seja a aplicação dos conhecimentos
ali adquiridos para a edificação do Corpo de Cristo. Os cultos de instrução e
 ensino devam ter primazia, considerando que é nesse serviço que o pastor tem
a oportunidade de expor doutrinas e o texto bíblico. Os líderes da igreja
 também precisam desenvolver um ensino sistemático, destacando as doutrinas
basilares da fé cristã, e também expondo inteiramente livros da Bíblia.
 Enquanto agência de ensinamento cristão, a Escola Bíblica Dominical tem
contribuído ao longo da história da igreja, na verdade, muitos obreiros foram
formados nas aulas da EBD. A arquitetura eclesiástica deve, inclusive, investir
 na expansão da EBD. Um líder que se preocupa com o ensinamento da
 Palavra na igreja, busca identificar e separar para o ministério do ensino
pessoas comprometidas com e dedicadas a esse ministério. Se possível,
constroem salas de aulas na igreja e as aparelham com recursos multimídia
 a fim de que alunos e professores possam tirar maior proveito do
 ensino-aprendizagem durante as aulas. Os crentes que frequentam a
 EBD, escolas bíblicas, institutos bíblicos e cultos de instrução não se
deixam levar por qualquer vento de doutrina, pois estão alicerçados Rocha,
 a Palavra de Deus (Mt. 7.24,25).

CONCLUSÃO
Integridade, de acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa,
 tem a ver com inteireza e pureza. Uma igreja que se pauta pela doutrina
cristã está alicerçada no próprio Cristo. Desde o princípio, Satanás quis
 subverter a Palavra de Deus (Gn. 3.1-5). Para que a igreja tenha saúde
espiritual, essa, como Jesus, ao ser tentado (Mt. 4) deva se pautar pela
Palavra de Deus. Para que a igreja seja contracultura na sociedade essa
deva expor e viver em conformidade com as palavras de Cristo em
piedade (I Tm. 6.1-3), conhecendo não apenas os princípios doutrinários,
mas também dando o exemplo (II Tm. 3.10). Essa é uma necessidade
urgente, considerando que já testemunhamos os tempos a respeito dos
quais Paulo advertiu a Timóteo, em que muitos não querem mais dar
ouvidos à sã doutrina, preferem amontoarem para eles mestres
conforme seus desejos desenfreados (II Tm. 4.2,3).

BIBLIOGRAFIA
GANGEL, K. O., HENDRICKS, H. G. Manual de ensino para o 
educador cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
LEBAR, L. E. Educação que é cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.







11º Lição - 11 de SETEMBRO de 2011


A INFLUÊNCIA CULTURAL DA IGREJA
Texto Áureo: Gn. 1.28 – Leitura Bíblica: Gn. 1.26-30

Pb. José Roberto A. Barbosa

Objetivo: Refletir com os alunos sobre a influência que a igreja pode ter
sobre a sociedade.

INTRODUÇÃO
Conforme já estudamos em lição anterior, a Igreja tem dupla responsabilidade, outorgada
 por Cristo, o Rei, para a sociedade. A primeira delas e a Grande Comissão, isto é, indo
 por todo o mundo, para fazer discípulos (Mt. 29.19,20). A segunda, e não menos
 importante, e, de certo modo, atrelada àquela, a de transformar a cultura. Na lição
de hoje, estudaremos a respeito da cultura, definindo-a, a princípio, em seguida,
destacaremos exemplos bíblicos de influência cultural. Ao final, passaremos a discorrer
 sobre alguns cristãos que influenciaram culturalmente na sociedade.

1. CULTURA, DEFINIÇÕES
Existem diversas definições de cultura, destacamos algumas delas a seguir: “um
empreendimento coletivo, segundo o qual os homens conseguem estabelecer um estilo
 de vida distinto, com base em valores comuns” (R. N. Champlin); “Aquele todo
complexo que inclui conhecimentos, crenças, artes, princípios morais, leis, costumes
 e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelos homens, como membros
 da sociedade” (E. B. Tylor). O cristianismo, por sua vez, reconhece a existência
da cultura enquanto produção humana, mas esta precisa ser avaliada a partir dos
princípios bíblicos. Por isso, sempre coube a Igreja, ao longo da sua história, a tarefa
de apontar para o alto, ressaltando as virtudes de Cristo. Por isso, conforme orienta
o autor da Epístola aos Hebreus (11.6), os valores terrenos devem ser sombras
daquele país celestial. Diante dessa realidade, a Igreja precisa estar ciente
do seu papel social, e, principalmente, da necessidade de capacitar-se para responder
 aos anseios da cultura moderna. O ponto de partida para analise cultural é a
realidade da Queda, que, conforme registrada no capítulo 3 do Gênesis, trouxe
implicações imediatas para o ser humano. Antes da Queda o ser humano tinha a
 capacidade para administrar a criação para a glória de Deus (Gn. 1.28-30), mas
depois desta, sua tendência passou a ser o egoísmo, a busca pelos interesses, e,
 como vemos atualmente, a destruição da criação, que geme a espera da
 redenção (Rm. 8.19-23). A destruição da criação, no entanto, não é o
 único mal causado pela Queda. Quando avaliamos a sociedade, à luz dos
valores cristãos, constatamos a prevalência da cultura da morte e da ganância.

2. A INFLUÊNCIA CULTURAL, EXEMPLOS BÍBLICOS
A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que não se deixaram levar pelos
 valores da cultura mundana. Não podemos esquecer que este mundo jaz no
Maligno (I Jo. 5.19), por isso, o Reino de Deus, conforme respondeu Jesus a
 Pilatos, não é deste mundo (Jo. 18.36). Ao mesmo tempo, também precisamos
estar cientes que precisamos agir como sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13,14),
 ao mesmo tempo em que não nos conformamos com ele (Rm. 12.1,2). No Antigo
Testamento encontramos o relato exemplar de Daniel diante da cultura babilônica.
Daniel, o jovem hebreu levado para o cativeiro, estava imerso em uma cultura
distinta dos princípios divinos. Mesmo assim, ele propôs em seu coração não se
 contaminar com as iguarias do rei, isto é, não fazer concessões quanto a sua fé
(Dn. 1.8; 6.6-10). No livro de Daniel também se encontra o registro de fé
de Sadraque, Mesaque e Abedenego, corajosos homens de Deus que foram
salvos da fornalha por testemunharem da soberania de Deus, e não se dobrarem
diante da estátua erguida pelo Rei (Dn. 3). Mordacai, juntamente com a rainha
 Ester, servem de exemplo para todos aqueles que não fazem concessões em
 relação aos valores do Reino de Deus. Os profetas de Deus, tanto
aqueles apresentados nos livros históricos, quanto os literários, autores de livro
bíblicos, foram contundentes em suas denuncias do status quo, ou seja, da
cultura humana distanciada dos padrões eternos de Deus. Por causa
disso, os profetas bíblicos eram impopulares, eles se opunham ao que a
 maioria defendia, se fosse hoje, diríamos que eles não estariam
preocupados com o Ibope, com a popularidade, mas, como declarou Pedro
diante das autoridades romanas e judaicas, o alvo deva ser obedecer a Deus,
e não aos homens, quando esses se voltarem contra a Palavra de Deus (At. 5.29).

3. CRISTÃOS QUE INFLUENCIARAM A CULTURA
Os críticos da fé cristã geralmente procuram defeitos na história para denegrir
 a imagem da Igreja. Não devemos fechar os olhos para atitudes que de fato não
 orgulham a fé, dentre elas, a Inquisição, tanto a Católica quanto a Protestante.
Mas para fazer justiça, é preciso reconhecer o legado cultural da Igreja para
 a sociedade. Na política, destacamos o exemplo de homens como William
Wiberforce, um parlamentar britânico, que lutou intensamente para que a
sociedade percebesse a opressão causada pela escravidão. Martin Luther
King Jr. tornou-se uma figura respeitável em virtude da sua oposição ao
preconceito racial nos Estados Unidos. Na música, Sebastian Bach, impressiona
 até mesmo os descrentes pela genialidade nas suas composições, as
quais assinava com o seguinte acréscimo Soli Deo Gloria (Gloria
somente a Deus). Na literatura e apologética, C. S. Lewis, um ex-ateu, contribuiu
 para difundir e defender os pressupostos da fé cristã. Em seu livro Cristianismo
Puro e Simples, resultante de conferências radiofônicas, expôs com maestria
os fundamentos doutrinários cristãos. Suas obras literárias, com destaque
 para As Crônicas de Nárnia, atraem a atenção do público em geral, em seu
bojo se encontram verdades eternas, extraídas das páginas do evangelho.
Tostoi e Dostoivski, os dois gigantes da literatura russa, seguidores fervorosos
de Cristo, inseriram em suas obras temáticas cristãs, o primeiro, por exemplo,
 em Guerra e Paz, e último, em Crime e Castigo. O cinema também tem servido
para influenciar a sociedade a partir dos valores cristãos. As obras de autores
 cristãos, como o próprio C. S. Lewis, estão sendo adaptadas para a tela.
Esses são apenas alguns dos muitos exemplos de pessoas que influenciaram a
 sociedade a partir dos valores bíblicos que defendiam. Mas existem milhares
 de outros, heróis anônimos, igrejas que se sacrificam e levam, com amor, o
evangelho de Cristo, atraindo a comunidade na qual estão inseridas, sendo
 luzeiros no mundo.

CONCLUSÃO
A Igreja de Jesus Cristo foi chamada para influenciar, não para ficar debaixo
 de um alqueire. Para tanto, deva sair de dentro das quatro paredes e
 ir para a sociedade, levando o evangelho, as boas novas de salvação.
Ela precisa denunciar o pecado, ser uma voz que expõe os princípios
 bíblicos. Mas precisa investir também na transformação cultural,
atuando nas várias frentes. Os políticos precisam ser coerentes com
 os valores cristãos. Os músicos comporem hinos e canções que
glorifiquem a Deus e enobreçam o ser humano. Os escritores devem usar
 a criatividade para expor valores do Reino. Existem diversas maneiras de
 a Igreja influenciar a sociedade, não apenas fazendo coisas grandes,
mas também com pequenos gestos, que, com zelo doutrinário e amor
sacrificial, conduzirão muitos a Cristo.

BIBLIOGRAFIA
COLSON, C., PEARCEU, N. E agora como viveremos? Rio de Janeiro:
 CPAD, 2000.
COLSON, C., PEARCEY, N. O cristão na cultura de hoje. Rio de Janeiro:
 CPAD, 2006.



Sumário da Lições
12. A Integridade da Doutrina Cristã
13. A Plenitude do Reino de Deus

AS 95 TESES DE MARTINHO LUTERO


HISTÓRICO

“A distância entre a realidade da Igreja e os princípios bíblicos que descobrira revoltava Lutero a tal ponto que resolvera protestar publicamente contra os rumos que Roma vinha imprimindo à fé cristã. Em 31 de outubro de 1517, a Igreja do Castelo amanheceu com as 95 teses pregadas à sua porta. Era costume, na época, afixar opiniões para debate em locais públicos para que os interessados tomassem conhecimento do assunto. Certamente, nada do que já fora publicado poderia causar maior polêmica que os escritos de Lutero. Suas teses foram rapidamente divulgadas por toda a Alemanha e caíram como uma bomba em Roma. Nelas, Lutero afirmava a nulidade das indulgências para perdoar pecados e livrar almas da condenação, contestava o poder da Igreja como mediadora entre os fiéis e Deus e assegurava que todo fiel arrependido era remido de seus pecados através da fé em Cristo. Era o início da reforma protestante, o movimento que iria causar a maior cisão da história do cristianismo.

Lutero pagou caro por desafiar os poderes eclesiásticos. O papa Leão X exigiu sua presença em Roma, de onde certamente não sairia vivo. Autoridades alemãs, contudo, conseguiram que seu caso fosse discutido em seu país, para onde se dirigiram os representantes da Santa Sé. Mas nada fez o Reformador voltar atrás em suas posições. Num ato de desafio, Lutero queimou, na frente de todo o povo, a bula papal que exigia sua retratação. A ruptura definitiva veio em janeiro de 1521, quando o papa decretou sua excomunhão.
(Escrito por Carlos Fernandes, publicado na Revista Vinde, Ano 1 - N° 9 - Julho 1996, publicado pelo site www.textosdareforma.net)

Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade, discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. Padre Martinho Lutero o que se segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, poderão fazê-lo por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.



1ª TESE
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos, certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo e ininterrupto arrependimento.

2ª TESE
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento de penitência, isto é, á confissão e satisfação, a cargo dos sacerdotes.

3ª TESE
Todavia, não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de mortificação da carne.

4ª TESE
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até à entrada para a vida eterna.

5ª TESE
O papa não quer e não pode dispensar de outras penas além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6ª TESE
O papa não pode perdoar dívida se não declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus, ou então o faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida em absoluto deixaria de ser anulada ou perdoada.


7ª TESE
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao ministro seu substituto.

8ª TESE
Cânones Poenitentiales, que são as ordenanças de prescrição de maneira em que se deve confessar e expiar, são impostos aos vivos e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9ª TESE
Eis por que o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluindo este de todos o s seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema.

10ª TESE
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos, penitências canônicas ou para o purgatório afim de ali serem cumpridas.

11ª TESE
Este joio, de que é o transformar a penitência e satisfação, previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou apenas do purgatório, foi semeado enquanto os bispos dormiam.

12ª TESE
Outrora canônica poenae, ou seja, penitência e satisfação por pecados cometidos, eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13ª TESE
Os moribundos, tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo portanto, dispensados com justiça de sua imposição.

14ª TESE
Piedade ou amor imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte, necessariamente resultam em grande temor: logo, quanto menos o amor, tanto maior o temor.

15ª TESE
Este temor e espanto em si tão só, sem nos referimos a outras coisas, basta para causar o tormento.

16ª TESE
Céu, purgatório e inferno diferem entre si, ao que parece, como o desespero, ou quase desespero e a segurança completa.

17ª TESE
É necessário que se aumente o amor e se diminua o horror para as almas do purgatório.

18ª TESE
Nem a razão, nem as escrituras asseguram que elas estão fora do alcance do amor.

19ª TESE
Nem está provado, tão pouco, que elas tenham certeza da salvação, embora nós outros saibamos disso.

20ª TESE
Portanto, quando o papa se refere à “completa remissão das penas”, não se refere a “todas”, mas apenas às por ele impostas.

21ª TESE
Enganam-se, portanto, os pregadores de indulgências quando afirmam que por meio das indulgências alguém pode ficar livre de todas as penas e salvo.

22ª TESE
De fato, o papa não dispensa as almas do purgatório de nenhuma das penas que deviam ter expiado e pago ainda na presente vida, segundo os cânones da Igreja.

23ª TESE
Verdade é que, se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são bem poucos.

24ª TESE
Logo, a maioria do povo é enganada por esta indiscriminada e altissonante promessa de liberação de penas.

25ª TESE
O poder que o papa tem sobre o purgatório, em geral, é igual ao que qualquer bispo ou cura possui em sua diocese ou paróquia.

26ª TESE
O papa faz muito bem em não conceder o perdão às almas em virtude do poder das chaves (cousa que não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27ª TESE
Eles pregam que no momento exato em que a moeda soa caindo no fundo do cofre, a alma se vai do purgatório.

28ª TESE
O que sucede quando a moeda soa no fundo do cofre é que aumentam a ganância e a avareza, mas o resultado da intercessão da Igreja acha-se inteiramente no poder de Deus.

29ª TESE
Quem sabe todas as almas do purgatório querem sair dali, como nas lendas de São Severino e São Pascoal?

30ª TESE
Ninguém está certo de que sua própria contrição seja sincera; nem de que tenha obtido plena remissão de seus pecados.

31ª TESE
Tão raro como o homem que é verdadeiramente penitente é aquele que compra indulgências.

32ª TESE
Estarão eternamente condenados juntamente com seus mestres, aqueles que se crêem salvos mediante breves de indulgências.

33ª TESE
Os homens devem guardar-se daqueles que dizem que o perdão do papa é um dom inapreciável de Deus.

34ª TESE
Porque essas indulgências só se relacionam com as penas sacramentais impostas pelos homens.

35ª TESE
Não pregam doutrina cristã esses que ensinam que não é necessário a arrependimento quando se compra a saída de almas do purgatório ou se adquireconfessonalia (direito de eleger seu próprio confessor.)

36ª TESE
Todo o cristão verdadeiramente arrependido tem direito à plena remissão da pena e da culpa, mesmo sem breves de indulgência.

37ª TESE
Todo o cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, que lhe são concedidos por Deus, mesmo sem breves de indulgência.

38ª TESE
Entretanto, não se deve desprezar o perdão e a distribuição deste pelo Papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão consiste numa declaração do perdão divino.

39ª TESE
É dificílimo, mesmo para os mais doutos teólogos, recomendar ao povo ao mesmo tempo a abundância de indulgência e a necessidade de uma verdadeira contrição e arrependimento.

40ª TESE
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo; mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça.

41ª TESE
Os perdões papais devem ser pregados cautelosamente para que o homem simples não venha a julgar erradamente ser preferível a indulgência às obras de amor e caridade.

42ª TESE
Deve-se ensinar ao povo que o papa não deseja que se estabeleça grau de igualdade entre as indulgência e as obras de caridade.

43ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que quem dá aos pobres ou ajuda aos necessitados produz obra melhor que comprando indulgências.

44ª TESE
E que as obras de caridade aumentam o amor do próximo. O que não sucede com as indulgências, que apenas livram da penalidade.

45ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que, em vez de ajudar os necessitados, compra indulgências, não está adquirindo indulgência do papa e sim, a indulgência de Deus.

46ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que, a não ser que tenham demais para o necessário a si e aos seus, não devem esbanjar dinheiro com indulgências.

47ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é questão de livre arbítrio e não uma operação obrigatória.

48ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, ao conceder indulgência, necessita e deseja mais as nossas orações que o dinheiro que elas lhe produzem.

49ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são muito boas enquanto não se confiar nelas; mas, muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

50ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a Basílica de São Pedro reduzida a cinzas do que edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51ª TESE
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por um dever, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que são despojados pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário, a própria Basílica de São Pedro.

52ª TESE
Esperar ser salvo mediante breves de indulgências é vaidade e mentira, coisa que nem o comissário de indulgências, nem o papa poderiam assegurar, nem dando as próprias vidas como garantia.

53ª TESE
São inimigos de Cristo e do Papa quantos proíbem a Palavra de Deus nas Igrejas por causa da predica das indulgências.

54ª TESE
Comete-se a injustiça à Palavra de Deus quando, no mesmo sermão se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra de Deus.

55ª TESE
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a coisa menor, com um toque de sino, uma pompa, na cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem toques de sino, centenas de pompas e solenidades.

56ª TESE
Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecidos à Igreja de Cristo.

57ª TESE
É evidente que são bens temporais, porquanto muitos pregadores não os distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58ª TESE
Tampouco são os méritos de Cristo e dos Santos, porque estes atuam sem necessidade do papa.

59ª TESE
São Lourenço disse que os tesouros da Igreja eram os pobres da Igreja, mas falava com palavras de sua época.

60ª TESE
Com boa razão afirmamos que esses tesouros são as chaves da Igreja, que lhe foram dadas pelo merecimento de Cristo.

61ª TESE
É evidente que, para o perdão das penas e a absolvição em determinados casos, o poder do papa por si só basta.

62ª TESE
E o verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da Graça de Deus.

63ª TESE
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porque faz que os primeiros sejam os últimos.

64ª TESE
Enquanto isso o tesouro das indulgências é notoriamente o mais apreciado, porque faz que os últimos sejam os primeiros.

65ª TESE
Por essa razão os tesouros evangélicos foram outrora as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66ª TESE
O tesouro das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67ª TESE
As indulgências, apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça, decerto assim são consideradas porque lhe fazem grandes proventos.

68ª TESE
Nem por isso semelhante indulgência é a mais ínfima graça, comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69ª TESE
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda reverência.

70ª TESE
Entretanto tem muito maior dever de conservar abertos os olhos e ouvidos, para que estes comissários em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não lhes apregoem seus próprios sonhos.

71ª TESE
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

72ª TESE
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

73ª TESE
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo de comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74ª TESE
Muito mais desejará atingir com o desfavor e a excomunhão àquele que, sob pretexto de indulgências, prejudicam a santa caridade e a verdade, pela sua maneira de agir.

75ª TESE
Pensar que os perdões papais são tão grandes que podem absolver a um homem que haja cometido um pecado impossível e violado a mãe de Deus, é uma loucura.

76ª TESE
Bem ao contrário, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo pode anular o menos pecado venial no que diz respeito à culpa que representa.

77ª TESE
Afirmar que nem mesmo São Pedro, se no momento fosse papa, poderia dispensar maior indulgência, constitui insulto contra São Pedro e o papa.

78ª TESE
Disséssemos, ao contrário, que o atual papa e todos os que o sucederem, é detentor de muito maior indulgência, isto é, do Evangelho, dom de curar, etc., de acordo com o que diz I Co. 12:6-9.

79ª TESE
Alegrar ter a cruz de indulgências, erguida e adornada com as armas do papa, tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

80ª TESE
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas desta atitude.

81ª TESE
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a indulgência, torna difícil até homens doutos defenderem a honra e dignidade do papa contra a calúnia e as perguntas mordazes e astutas dos leigos.

82ª TESE
Haja visto exemplo como este: Porque o papa não livra duma só vez todas as almas do purgatório, movido pela santíssima caridade e considerando a mais premente necessidade das mesmas, havendo santa razão para tanto, quando, em troca de vil dinheiro para a construção da basílica de São Pedro, livra inúmeras delas, logo por motivo bastante infundado?

83ª TESE
Outrossim: Porque continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para esse fim ou não se permite que os doadores busquem de novo os benefícios ou prendas oferecidas em favor dos mortos, quando já não é justo continuar a rezar pelos que se acham remidos?

84ª TESE
E: Que nova santidade de Deus e do papa é esta a consentir a um ímpio e inimigo resgate uma alma piedosa e agradável a Deus do seu tormento por amor espontâneo e sem paga?

85ª TESE
E: Porque os cânones de penitência, isto é, os preceitos de penitência, que faz muitos caducaram e morreram de fato, pelo desuso, tornam a remir, mediante dinheiro, pela concessão de indulgência, como se continuasse em vigor e bem vivos?

86ª TESE
E: Porque o papa, cuja fortuna é maior do que a de qualquer Creso, não prefere construir a Basílica de São Pedro de seu próprio bolso, em vez de o fazer como dinheiro de cristãos pobres?

87ª TESE
Que perdoa ou concede o papa pela sua indulgência àqueles que pelo seu arrependimento completo tem direito ao perdão ou indulgência plenária?

88ª TESE
Afinal: Que benefício maior poderia receber a Igreja se o papa, que atualmente o faz uma vez ao dia, cem vezes ao dia concedesse aos fiéis este perdão a título gratuito?

89ª TESE
Visto o papa visar mais a salvação das almas mediante a indulgência do que o dinheiro, por que razão revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, quando tem eles sempre as mesmas virtudes?

90ª TESE
Desfazer estes argumentos muitos sutis dos leigos; recorrendo apenas à força e não por razões sólidas apresentadas, significa expor a Igreja e o papa ao escárnio dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91ª TESE
Se, portanto, a indulgência fosse apregoada no espírito do papa, estas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92ª TESE
Fora, pois, com todos estes pregadores que dizem à Igreja de Cristo: Paz! Paz! Sem que haja Paz!

93ª TESE
Abençoados, porém, sejam os pregadores que dizem à Igreja de Cristo: Cruz! Cruz! Cruz! Cruz! Sem que haja cruz!

94ª TESE
Admoestem-se os cristãos que se empenhem em seguir seu Cabeça, Cristo, através da cruz, da morte e do inferno.

95ª TESE
E desta maneira mais esperam entrar no Reino dos Céus por muitas aflições do que confiando em promessas de paz infundadas.

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